A direção do GHC decidiu reservar os recursos e a estrutura, que estão limitados, para manter os atendimentos mais graves e complexos. Por isso, solicitou à Secretaria Municipal da Saúde que os demais pacientes fossem encaminhados para outros serviços. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e o Ministério da Saúde também foram comunicados sobre o caso.
A decisão, segundo Bobek, é para manter a segurança dos pacientes. “Apesar disso, nunca fechamos os serviços. Este ano já diagnosticamos 20% a mais de casos de câncer do que o ano passado”, ressaltou. Até a manhã de sábado, o grupo não havia recebido retorno sobre a liberação dos repasses - provenientes da União, Estado e município - que devem ser feitos pela prefeitura de Porto Alegre.
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) divulgou a situação por meio de uma nota oficial neste sábado. Informou que a orientação de suspensão de procedimentos, desde sexta-feira, gerou surpresa e indignação entre os profissionais “devido ao grande volume de procedimentos para realizar e a demanda de novos pacientes”. O texto denuncia falta de fio de sutura, antibióticos, líquido de contraste para fazer tomografia entre outros materiais para o trabalho dos médicos. No entanto, o grupo argumentou que tudo está sendo economizado para o uso em atendimentos de alta complexidade e que não faltam materiais, mesmo com as dificuldades.
O Simers demonstrou preocupação porque o Conceição atende 100% SUS e responde pelo maior volume de assistência, recebendo casos de todo o Estado. “O hospital faz cerca de 1,5 mil cirurgias por mês, e a medida atinge tudo que está agendado a partir de segunda-feira”.
Secretaria Municipal de Saúde contesta
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contestou a decisão. O titular da pasta, secretário Carlos Henrique Casartelli, informou que o GHC possui um orçamento anual superior a R$ 1 bilhão, mas sofre com problemas de gestão. Segundo ele, se a restrição se confirmar, o Ministério Público será notificado. "Além de comunicar o Ministério da Saúde, na segunda-feira vamos mandar a Vigilância Sanitária verificar as condições de atendimento, já que está faltando material", informou. "Mesmo que eles tenham razão, o que não têm, R$ 24 milhões em um ano (verba referente à Prefeitura), para um orçamento de R$ 1,4 bilhão, não significa absolutamente nada", argumentou.
Com informações de Karina Reif e Marcos Kobolt