Sorridentes, brincaram, correram e nadaram, ontem, perto da guarita 188, no Centro de Cidreira, sob o olhar dos salva-vidas e dos funcionários da instituição onde vivem. O assistente social Diego Giuliano explica que a intenção é oferecer uma vivência muito próxima dos hábitos comuns para o verão de muitas crianças em férias escolares. “Na praia, eles têm contato com um ambiente diferente, lúdico e de descobertas. Exercitam a fraternidade, a responsabilidade e o cuidado com os colegas”, avalia.
A adolescente de 15 anos, que também necessita permanecer anônima, confirma o valor das experiências compartilhadas. “É a segunda vez que venho na praia. Mudei meu jeito de agir depois que passei a viver na casa (unidade de acolhimento). Eu era muito gritona, falava alto e não respeitava ninguém. Aprendi a viver em grupo cuidar dos outros e de mim mesma”, conta a menina.
A alegria deles é mesmo evidente. Entram e saem da água, sempre com uma história nova para contar a quem queira ouvi-la. Aos 9 anos de idade, o menino que passou boa parte da vida no abrigo quase não cabe em si próprio de tanto entusiasmo, só para dizer que teve um dia que poderia ser considerado normal para tantos outros meninos de sua idade. “Brinquei e joguei bola, mas gostei mais do mar”, garante.
A Fundação O Pão dos Pobres tem quatro unidades de acolhimento institucional. Cada casa, abriga 20 crianças e adolescentes, totalizando 80 abrigados. Essas crianças e adolescentes foram afastados de familiares ou responsáveis por decisão da Justiça. Enquanto estão sob os cuidados da instituição, nas unidades, as crianças e adolescentes frequentam a escola, serviços de apoio socioeducativo, recebem atendimento de saúde, praticam atividades esportivas, de recreação e de lazer.