Duas salas do palacete histórico onde funciona o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (Iphan) em Porto Alegre, na avenida Independência, foram abertas pela superintendência para que artistas mantenham a ocupação iniciada no final da tarde passada. Cerca de 60 pessoas iniciaram o protesto na quinta-feira, no pátio do local, contra a extinção do Ministério da Cultura pelo governo interino de Michel Temer. Ao menos 15 representantes passaram a noite nas salas e, desde o início da manhã, vão contando com novos apoiadores.
O superintendente do Iphan no RS, Eduardo Hann, relata que não houve qualquer tipo de depredação ao espaço e que todos entraram em acordo para manter a segurança e o trabalho normal no edifício. Apesar de a manifestação ter sido uma surpresa, Hann admite que os próprios servidores do órgão estão temerosos em relação à incorporação da Cultura ao Ministério da Educação. Nenhuma atividade foi prejudicada até agora, mas há o receio de restrição de projetos em andamento, como a finalização do restauro do Mercado Público da Capital.
“Nós temos um pouco de receio em relação a todas as obras do PAC Cidades Históricas. A gente está vendo que o PAC, como projeto nacional, pode sofrer algum tipo de corte. A gente está aguardando o resultado dessa análise e são informações que ainda virão de Brasília. Esperamos que não haja nenhum tipo de redução dentro desse segmento, que é muito pequeno em relação ao total destinado ao PAC”, avaliou.
Um dos representantes dos artistas que promovem a ocupação, o músico King Jim, ressalta que o principal objetivo é defender a preservação da memória da cultura. A ocupação, que ocorre em consonância com outras capitais do país, também busca mobilizar mais representantes da cena cultural para manter protestos contra o governo federal. Não estão descartadas novas ocupações em Porto Alegre.
Iphan abre espaço para manutenção de acampamento de artistas na sede de Porto Alegre
Servidores e manifestantes entram em acordo para que trabalho no prédio seja mantido