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Jovens protestam no Centro de Porto Alegre

Manifestação começou em frente à Usina do Gasômetro e seguiu até a Praça da Matriz

Agronegócio foi uma das questões abordadas pelo grupo
Agronegócio foi uma das questões abordadas pelo grupo Foto : Mateus Bruxel
Cerca de 400 jovens ligados a movimentos sociais gaúchos se mobilizaram na manhã desta terça-feira na área central de Porto Alegre. Eles permaneceram em vigília junto à Usina do Gasômetro, das 8h às 9h45min, de onde seguiram em passeata até a Assembleia Legislativa em direção à Praça da Matriz. “Protestamos contra o atual modelo de desenvolvimento do país, que prioriza as multinacionais em detrimento de qualquer forma de vida”, justificou Lúcio Centeno, do Levante Popular da Juventude.

Os jovens também reivindicavam a retirada do pedido de liberação do arroz transgênico da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a suspensão das obras de construção da barragem de Belo Monte e a realização de uma reforma agrária popular, incentivando a produção agroecológica.

Os manifestantes eram vinculados ao Levante Popular da Juventude, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ao Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e à Pastoral da Juventude. Centeno ressaltou que a mobilização integra a programação paralela da Semana Municipal do Meio Ambiente 2010. O ato ainda contou com a adesão de alunos das escolas estaduais Oscar Pereira e Cônego Paulo de Nadal, e de estudantes de Charqueadas, Constantina e Sarandi.

A passeata, precedida de esquetes teatrais e de atos simbólicos, foi acompanhada por policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Durante a caminhada entre a Usina do Gasômetro e a Assembleia, os manifestantes acabaram tumultuando o trânsito. Houve registro de congestionamento nas avenidas Mauá, Loureiro da Silva e Borges de Medeiros. Os motoristas que trafegavam no sentido bairro-Centro da avenida Edvaldo Pereira Paiva também foram atingidos. Alguns, mais exaltados, protestavam acionando as buzinas dos veículo. O condutor de um Honda Civic desembarcou do carro e passou a ofender os estudantes.

No trajeto, os manifestantes ingressaram no Centro Administrativo Fernando Ferrari, onde protocolaram a entrega de reivindicações pontuais das escolas estaduais Oscar Pereira e Cônego Paulo de Nadal, representadas na mobilização. Já na Praça da Matriz, eles se uniram aos moradores de seis vilas Ecológica, Gaúcha, Figueira, Prisma, União Santa Teresa e Santa Rita, que protestavam contra o projeto de lei que autoriza a venda ou permuta da área da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), na avenida Padre Cacique. “Decidimos apoiá-los por entendermos que a proposta de reestruturação da Fase não assegura o direito à moradia para as 4,5 mil famílias que vivem em parte da área a ser negociada”, justificou Debora Valim, do MTD.