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La Niña retorna e traz ameaça de estiagem

Impacto maior do fenômeno será no segundo semestre de 2010

O Oceano Pacífico retornou à condição de La Niña. Dados divulgados nesta segunda-feira pela NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera), órgão oficial de Meteorologia do governo dos Estados Unidos, indicaram que a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Central chegou a -0,5ºC, valor inicial para caracterização de condições de La Niña.

O fenômeno La Niña caracteriza-se pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial, alterando o clima em todo o planeta com maior incidência de seca ou enchente, frio ou calor mais intenso, dependendo da região. No Brasil, o La Niña traz menos chuva para o Sul e precipitações mais abundantes para o Norte e para o Nordeste.

De acordo com o meteorologista Eugenio Hackbart, da MetSul, a transição de El Niño para La Niña foi muito rápida. “Até abril estávamos com El Niño e já temos condições de La Niña em junho após um período de neutralidade no oceano que foi relâmpago”, comenta Hackbart.

O diretor-geral da MetSul observa que o último episódio de La Niña ocorreu entre 2007 e 2009, quando o Estado experimentou invernos rigorosos e estiagens. Para que haja a caracterização oficial de um episódio de La Niña iniciado em 2010 será preciso que o Pacífico se mantenha frio nos próximos meses, explica Eugenio Hackbart.

O fenômeno La Niña, historicamente, traz redução da chuva no Rio Grande do Sul, especialmente durante o verão. No inverno, as massas de ar frio tendem a ser mais intensas e frequentes. O meteorologista Eugenio Hackbart pondera que como as condições de La Niña foram atingidas no Oceano Pacífico há pouco, o impacto maior na temperatura deve ocorrer na segunda metade do inverno e na primavera, quando os gaúchos podem experimentar frio tardio, o que pode afetar a agricultura. Já a redução mais acentuada da chuva ocorreria em direção ao final do ano.

Dependendo da força do La Niña, as safras de grãos poderão ser menores, afetando os preços. No Estado, o passado recente demonstra impacto adverso no milho e na soja com a tendência de menor ocorrência de chuva no período crítico de reprodução e enchimento de grãos das culturas nos meses de dezembro e fevereiro, respectivamente. Trigo e fumo também seriam prejudicados no caso da escassez de chuva. Já para o arroz, haveria benefícios com o aumento da luminosidade na safra.

O produtor gaúcho estará melhor preparado para enfrentar a estiagem do que em anos anteriores, segundo a Secretaria Extraordinária da Irrigação e Usos Múltiplos da Água. O governo gaúcho atribui essa maior proteção ao avanço do programa estruturante Irrigar é a Solução, criado para minimizar os efeitos das estiagens sobre a produtividade do agronegócio gaúcho, por meio do aproveitamento racional do potencial hídrico do Estado. A meta é ter até o final deste ano 5 mil açudes e cisternas em 300 municípios do Estado com prioridade para regiões atingidas por estiagens. Até agora, 3 mil estruturas foram concluídas.