Mesmo com uma decisão judicial determinando a desocupação voluntária do prédio onde o movimento Lanceiros Negros se instalou, no Centro de Porto Alegre, a coordenadora do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Nana Sanches, garantiu nesta quarta-feira que o grupo continua arrumando a estrutura para permanecer no local. O imóvel era usado pelo Hotel Açores, desativado em 2015. De acordo com Nana, desde a madrugada, 150 famílias passaram a usar o edifício de oito andares como moradia.
No fim da tarde desta quarta-feira, o movimento chamou apoiadores para um ato contra a reintegração de posse do local. O MLB classifica como contraditório que uma juíza que receba auxílio moradia de R$ 4,3 mil autorize o despejo de famílias sem-teto. Nana disse que não há um motivo específico para a escolha do edifício e defende que o imóvel deixou de ter uso social quando o Hotel Açores fechou. “É mais um imóvel vazio na cidade de Porto Alegre, não há nada especial. Existem 40 mil imóveis vazios na cidade, de acordo com o Ministério Público, com o IBGE. E a gente acredita que eles podem ser usados para moradia social”, defendeu.
Representantes do movimento relatam que, até o momento, não foram notificados da liminar concedida à proprietária do prédio pela juíza Luciane Marcon Tomazelli. O prazo dado pela magistrada é de cinco dias, a partir da intimação, para saída voluntária do local, sem aplicação de multa, dada a precariedade financeira dos ocupantes. As famílias compunham a chamada ocupação Lanceiros Negros e foram retiradas de um prédio público estadual localizado na esquina entre as ruas General Câmara e Andrade Neves, também no Centro, 20 dias atrás. Conforme o MLB, outras pessoas que não possuem moradia se juntaram ao grupo.
Segundo a magistrada, a proprietária do imóvel comprovou que o prédio está à venda e com os pagamentos de manutenção em dia. Além disso, fotos também mostraram que o edifício está em excelente estado de conservação. A reportagem encontrou o imóvel à venda no site de uma imobiliária da Capital por R$ 18 milhões. Cabe recurso da decisão de reintegração.
Lanceiros Negros pretendem permanecer em hotel, apesar de decisão judicial
Coordenadora relatou que famílias trabalham para garantir habitabilidade da estrutura