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Após uma reunião na manhã desta segunda-feira em que participaram secretários municipais, foi definido que será elaborado um laudo técnico sobre os danos causados na estrutura do edifício. A partir desse documento, será possível prever o valor total dos prejuízos e quanto será preciso para recuperação. “Qualquer decisão (hoje) não é possível de ser tomada. A partir de amanhã, nós podemos tomar decisões coletivas. O laudo vai apontar o tamanho do estrago”, resumiu o prefeito em exercício, Sebastião Melo, em entrevista ao site do Correio do Povo.
José Fortunati está em Brasília para cumprir agenda com a presidente Dilma Rousseff e outros ministros sobre saúde e mobilidade urbana. Porém, incluirá na pauta política a negociação do montante que será repassado pelo governo federal para a reconstrução do Mercado Público. A disponibilização de recursos do PAC Cidades Históricas, que já tem a participação de Porto Alegre, foi confirmada pela presidente no domingo, por meio de um telefonema ao prefeito da Capital.
Além disso, segundo Melo, os permissionários das bancas terão recursos do Fundo Municipal do Mercado Público (Funmercado), formado com a receita arrecadada das permissões, para recuperar as perdas. A estimativa da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic) é que o Funmercado tenha cerca de R$ 5 milhões. “Temos que analisar possibilidade de usar dinheiro ou não, mas não podemos ficar sem nenhuma reserva”, ponderou.
Para amenizar os problemas enquanto o Mercado Público permanece fechado e isolado, uma cobertura provisória será utilizada, já que o teto foi queimado pelas chamas e parte dele despencou. “Crises acontecem, não adianta falar de problemas, temos que falar de soluções. Vamos providenciar uma cobertura provisoria, a religação da energia elétrica ou geradores para que as lojas possm funcionar no andar debaixo. Isso já salva uma grande maioria. Vamos dar tratamento especial para aqueles que perderam todos os equipamentos”.
Outra medida adotada para minimizar prejuízos aos trabalhadores é a suspensão do aluguel dos permissionários. “Aqueles que tiveram os seus estabelecimentos totalmente destruídos terão o aluguel suspenso, ainda por tempo indeterminado. Já sobre os outros, nós vamos analisar quantos dias as bancas vão ficar fechadas para definir essa questão”.
O Mercado Público tem 110 lojas nos dois pisos e emprega cerca de mil trabalhadores. Por lá, passam diariamente cerca de 120 mil pessoas. Além de proprietários e trabalhadores, uma equipe do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) realiza um mutirão para remover a sujeira acumulada no chão.
O Mercado Público
Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.
O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o local e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O prédio chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida na área.
Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.
No segundo pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.
Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.