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Lei contra incêndio está na pauta do Legislativo

Texto aguarda acordo de líderes para ser votado

Lei contra incêndio está na pauta do Legislativo
Lei contra incêndio está na pauta do Legislativo Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória
Nove meses depois após a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, a nova lei de prevenção a incêndios no Rio Grande do Sul está prestes a ser votada pela Assembleia Legislativa. O projeto de lei complementar 155/2013 foi elaborado após uma série de audiências públicas comandadas por uma comissão de deputados. Aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça, o texto aguarda acorde de líderes para ir a plenário. Sua aprovação, de forma urgente, foi solicitada por várias entidades, como Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/RS) e a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.

A iniciativa, porém, não é unanimidade. A Famurs, que representa os 497 prefeitos, pretende apresentar sugestões de emendas por entender que a proposta precisa ser revisada. Esperança de maior rigidez na prevenção, o projeto começou a ser debatido logo após o incêndio que matou 242 pessoas em Santa Maria, no dia 27 de janeiro.

Uma das principais novidades é a implementação da carga de incêndio, que irá calcular o potencial de combustão de cada ambiente e orientar a elaboração do Plano de Prevenção contra Incêndio (PPCI). "Serão levados em conta não só a altura e a área, mas também a ocupação, o uso, o número de pessoas e ocontrole de fumaça", explica o deputado estadual Adão Villaverde (PT), que preside a Comissão Especial de Revisão e Atualização de Leis contra Incêndio.

Para comprovar a ineficiência da lei atual, cita como exemplo duas fábricas de dimensões idênticas: uma de gelo e outra de fogos de artifício. "O PPCI seria o mesmo para as duas, porque a lei levava em conta apenas a área e a altura", argumenta Villaverde.

O projeto em tramitação estabelece, ainda, a necessidade de um sistema de controle e extração de fumaça nos establecimentos e a exigência do Alvará de Prevenção e Proteção contra Incêndio (APPCI), que irá anteceder o licenciamento do imóvel. As novas normas irão abranger todas as edificações, menos aquelas de caráter unifamiliar, de uso exclusivamente residencial. Após sancionada a lei, todas as novas edificações terão de ser construídas sob essas regras. Para as existentes, haverá cinco anos para adequação.

O texto prevê que o descumprimento da lei poderá acarretar em notificação, multa ou interdição, a cargo das prefeituras. O valor da multa não está previsto no projeto. O tema depende de regulamentação. "O governador é quem tem de definir. Nossa sugestão é que a multa seja pesada", observa Villaverde. O projeto poderá ser votado em duas semanas.

Sergs defendia projeto conciso

O engenheiro João Daniel Xavier Nunes, secretário da Comissão de Proteção contra Incêndios da Sociedade de Engenharia do RS (Sergs), esperava por uma lei "curta e concisa", que deixasse a regulamentação para ser feita por decreto ou instruções técnicas. Segundo ele, não foi o que aconteceu. O posicionamento havia sido manifestado por um grupo de engenheiros que trabalham com prevenção a incêndios, antes de uma das audiências públicas ocorridas na Assembleia. "Não está de acordo com o que os engeheiros pediram. O projeto é muito restritivo e vai aos pormenores", acrescenta.

Nunes alega que, caso sejam necessários ajustes no futuro, o processo terá de passar novamente pelo poder Legislativo. Para ele, caso a regulamentação fosse feita por instrução técnica, a mudança seria mais rápida. "O sistema está sendo totalmente engessado", acredita.

O presidente do Crea/RS, Luiz Alcides Capoani, defende o projeto. "É uma lei transparente, clara, e diz claramente qual a atribuição de cada um", argumenta ele, que participou da elaboração da proposta. De acordo com Capoani, com essas características, a lei torna-se mais fácil de ser fiscalizada. Entre os avanços da lei em tramitação, Capoani cita a obrigatoriedade de que projeto relacionado à segurança contra incêndio seja feito por um profissional habilitado. 

Na opinião de Capoani, a falta de clareza é o maior defeito da lei em vigor hoje. "Tivemos 242 mortes (na boate Kiss) e um joga para o outro. Não se acha nem quem é o culpado. Ninguém entendia aquela legislação", afirma o engenheiro. "Agora está nas mãos do parlamento gaúcho. Temos de dar uma resposta, inclusive, para as famílias enlutadas."

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