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Lei exige laudo para retirar famílias no Rio

Prefeito Eduardo Paes anunciou que todos os moradores do Morro dos Prazeres seriam removidos

Lei exige laudo para retirar famílias no Rio
Lei exige laudo para retirar famílias no Rio Foto : Antônio Scorza/AFP
A decisão anunciada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) de remover "todos" os moradores do Morro dos Prazeres, no Centro, e do Laboriaux, na Rocinha, zona sul do Rio, poderá esbarrar na Lei Orgânica do Município. De acordo com o artigo 429 da legislação, a política de desenvolvimento urbano deve respeitar preceitos como "urbanização, regularização fundiária e titulação das áreas faveladas e de baixa renda, sem remoção dos moradores, salvo quando as condições físicas da área ocupada imponham risco de vida aos habitantes".

Nesse caso, porém, é obrigatório seguir três regras: a) ter laudo técnico do órgão responsável; b) participação da comunidade interessada e das entidades representativas na análise e definição das soluções; c) assentamento em localidades próximas dos locais da moradia ou do trabalho, se necessário o remanejamento.

A arquiteta e urbanista Sônia Mattos, ex-funcionária da Secretaria Municipal de Obras, responsável por várias intervenções realizadas em favelas no passado, avaliou que a decisão anunciada pelo prefeito de remover as 2 mil famílias que vivem nessas localidades não é plausível.

"Isso só seria possível com um estudo muito detalhado e demorado. Não acho plausível, a não ser que o maciço inteiro esteja caindo. Precisamos aguardar os laudos", disse ela, ressalvando a necessidade de ação em áreas comprovadamente de risco. "É um assunto controvertido e complicado."

Ao anunciar a decisão, Paes afirmou que se baseava em "estudos de geotecnia", por causa de deslizamentos nas encostas. Procurada ontem, a Fundação Geo-Rio informou que "o laudo ainda não está fechado", mas que há uma "orientação" no sentido da remoção. Advertiu, porém, que o trecho do Morro dos Prazeres que recebeu intervenções do programa Favela-Bairro "não oferece risco".

O engenheiro civil Tácio Mauro Pereira, da área de Geotecnia da PUC-RJ, respaldou qualquer decisão da fundação. "Quem vai definir isso é a Geo-Rio, que é extremamente competente. Tudo depende dessa avaliação." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.