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Leitora do CP celebra 103 anos de vida

Amigos cantaram parabéns para Dona Matilde Gomes, isolada desde março em razão da pandemia

Dona Matilde completou 103 anos
Dona Matilde completou 103 anos Foto : Fabiano do Amaral

Leitora do Correio do Povo há mais de cinco décadas a modelista Matilde Herbert Gomes, completou 103 anos no sábado. A comemoração, com direito a bolo, balões e com um carro de som, foi organizada uma festa por um grupo de amigos que não tinha contato com ela há pelo menos cinco meses em função da pandemia da Covid-19.

Dona Matilde Gomes recebeu os amigos na entrada do edifício Bordini B, na rua Coronel Bordini, no bairro Moinhos de Vento, na zona Norte de Porto Alegre. Os amigos cantaram parabéns em alemão e as músicas Como é Grande o Meu Amor por Você e Emoções, do cantor Roberto Carlos. No discurso feito na entrada do prédio, Matilde Gomes disse que era muito bom chegar aos 103 anos e ser homenageada pelos amigos. "Fico emocionada com tanta gente que me trata bem. Sou uma velha muito feliz", ressaltou Matilde que não saia de casa há cinco meses.

No final de março, em razão pandemia, ela resolveu se isolar dos amigos e também não sair para atividades na rua. "Falava com eles só pelo telefone", recordou. Segundo ela, a pandemia não estragou a amizade, mas prejudicou muito o convívio com as pessoas. Ela afirmou que comprou um apartamento perto de uma sobrinha e desde março não teve mais contato com ela. "Neste sábado, é que vou receber um abraço da minha sobrinha", explicou.    

Sobre o Correio do Povo, ela afirma que é uma paixão e que lê o jornal todos os dias. "Você pode me perguntar o que tem na edição que eu sei lhe dizer", acrescentou. Conforme Matilde Gomes, os imóveis adquiridos ao longo da sua vida foram graças aos anúncios publicados no Correio do Povo. "É uma relação de meio século. Eu sempre fui do Correio do Povo e acordava cedo para ir na banca comprar o jornal. O meu marido ficava dormindo e eu com os anúncios embaixo do braço saia a fazer negócios", recordou.  A amiga Edialeda Susin, uma das organizadoras da homenagem, disse que em razão da pandemia da Covid-19 os amigos não puderam se aproximar em função dela fazer parte do grupo risco. A ideia foi levar um carro de som até o seu prédio para cantar parabéns. "A Matilde é uma pessoa ativa e que fala sobre qualquer assunto", destacou. Conforme Edialeda Susin, Matilde não parou nunca na pandemia, ou seja, ela se reinventou nesses cinco meses e voltou a costurar e a fazer crochê.  "Ela diz que o segredo da vida é não sofrer por antecedência. O certo é viver o dia de hoje", ressaltou. Já o amigo Mauro Ulisses Carvalho afirmou que a dona Matilde sempre cobra a realização de uma festa. "Ela já está pensando nos 104 anos e sempre pergunta aonde vamos comemorar o seu aniversário", acrescentou.