O advogado Jader Marques lembrou, em seu blog, que Lia Pires conseguiu o que queria - morreu trabalhando. “(Ele) foi ao escritório na véspera do seu falecimento para atender clientes e confraternizar com os funcionários e com os colegas. Conforme dizia, quando morresse teria que parar de advogar, mas contrariado.”
Marques lembra a primeira vez que atuou ao lado de Lia Pires no Tribunal do Júri, em Porto Alegre. Na ocasião, ele foi levado por um amigo até a residência do criminalista Amadeu Weinmann para tomar um café e conversar sobre a advocacia criminal. Marques estava com 25 anos e formado havia três anos. Ao entrar no corredor do apartamento, viu um senhor aos prantos com o telefone nas mãos. Era o momento em que o delegado informava que o filho Marcelo Weinmann havia sido assassinato. “Senti que deveria ajudar”, contou.
Pouco depois, Weinmann nomeou Marques para representá-lo no processo, na condição de advogado do assistente de acusação. Dias depois, Lia Pires foi ao escritório de Weinmann e disse que seria o advogado naquela causa. “Resultado: atuamos juntos”, lembrou. “Aos 26 ou 27 anos, um jovem advogado atua no Tribunal do Júri ao lado de um dos maiores criminalista de todos os tempos. Selou-se, ali, uma grande amizade”, descreveu.