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Lia Pires é cremado em Porto Alegre

Advogado criminalista morreu neste domingo, após complicações numa cirurgia

O corpo do advogado criminalista Oswaldo de Lia Pires, 92 anos, foi cremado na tarde desta segunda-feira no Crematório São José, em Porto Alegre. Inúmeros amigos e familiares de um dos mais famosos advogados do Rio Grande do Sul, acompanharam a cerimônia. Lia Pires morreu no domingo foi um expoente em diversos casos, sendo um dos mais conhecidos o do assassinato de José Antônio Daudt, quando o então deputado Antônio Carlos Dexheimer Pereira da Silva foi absolvido.
 
O advogado Jader Marques lembrou, em seu blog, que Lia Pires conseguiu o que queria - morreu trabalhando. “(Ele) foi ao escritório na véspera do seu falecimento para atender clientes e confraternizar com os funcionários e com os colegas. Conforme dizia, quando morresse teria que parar de advogar, mas contrariado.”

Marques lembra a primeira vez que atuou ao lado de Lia Pires no Tribunal do Júri, em Porto Alegre. Na ocasião, ele foi levado por um amigo até a residência do criminalista Amadeu Weinmann para tomar um café e conversar sobre a advocacia criminal. Marques estava com 25 anos e formado havia três anos. Ao entrar no corredor do apartamento, viu um senhor aos prantos com o telefone nas mãos. Era o momento em que o delegado informava que o filho Marcelo Weinmann havia sido assassinato. “Senti que deveria ajudar”, contou.
 
Pouco depois, Weinmann nomeou Marques para representá-lo no processo, na condição de advogado do assistente de acusação. Dias depois, Lia Pires foi ao escritório de Weinmann e disse que seria o advogado naquela causa. “Resultado: atuamos juntos”, lembrou. “Aos 26 ou 27 anos, um jovem advogado atua no Tribunal do Júri ao lado de um dos maiores criminalista de todos os tempos. Selou-se, ali, uma grande amizade”, descreveu.

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