Presente no velório, o filho de Lia Pires, o ortopedista José Luiz Rockett Pires, emocionou-se ao citar o neto do advogado. Gustavo de Azambuja Pires, filho de Rockett Pires e único da família a seguir carreira no Direito, morreu em 2008, aos 29 anos de complicações cardíacas. “Trabalharam juntos por sete anos e eram muito parecidos. Deveria ter dado a ele o nome de Oswaldo de Lia Pires Neto”, afirmou.
Lia Pires era casado há 65 anos com Dinah Rockett Pires, 89 anos, com quem teve três filhos, oito netos e três bisnetos. Com oratória flamante, o advogado foi protagonista de júris memoráveis e recheados de artimanhas. Ele é muito lembrado pelo "julgamento do século 20", no Rio Grande do Sul, em agosto de 1990, quando atuou na defesa do então deputado estadual Antônio Carlos Dexheimer, acusado de matar o também deputado e radialista José Antônio Daudt.
O presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, avaliou a morte do criminalista como uma perda irreparável para o Rio Grande do Sul e para os 80 mil advogados gaúchos. “Foi um exemplo de ética, dignidade e qualidade. Lia Pires foi e sempre será referência, sendo modelo para os atuais e para os futuros advogados”, enfatizou. O criminalista Amadeu Weinmann, salientou que o colega e amigo foi uma referência na América do Sul. “A perda é irrecuperável”, frisou.