Geral

Litoral comemora resultados do verão apesar da temporada curta

Argentinos e uruguaios impulsionaram movimento na praia

Movimento diminuiu em Tramandaí
Movimento diminuiu em Tramandaí Foto : Guilherme Testa
A temporada de verão deste ano foi a mais curta desde 2005, quando comemorou-se o Carnaval em 5 de fevereiro. Nos demais anos até 2016, quando ocorreu no dia 9 deste mês, a festa prolongava a permanência dos veranistas no litoral. Este ano, autoridades, comerciantes e o setor de hospedagem consideram que o verão durou apenas 45 dias – do Natal ao Carnaval. O efeito de uma temporada mais curta foi maior do que a crise econômica que assola o país, avaliam os prefeitos dos principais municípios litorâneos.



Em Capão da Canoa, a temporada foi uma das melhores dos últimos anos, segundo avaliação do prefeito Valdomiro de Matos. “A quantidade de turistas e veranistas circulando foi muito boa, não dá para reclamar. A maioria dos comerciantes que tenho conversado tem me dado boas notícias, apesar de ter sido uma temporada curta”, afirmou. Para ele, a crise ajudou a incrementar o movimento na praia. “Quando existe uma crise, os gaúchos não vão para tão longe, procuram praias próximas e o litoral se favorece quanto à quantidade de publico”, avalia.

• O que esperar da próxima temporada
 


O setor turístico de Torres está rindo sozinho. Segundo a secretária de Turismo, Vivian Rocha, a expectativa de movimento foi superada e a rede hoteleira e gastronômica da cidade esteve sempre lotada durante o verão. “Superou a expectativa principalmente em relação aos turistas estrangeiros, que representaram 70% do turismo de Torres, principalmente no mês de janeiro.” Além dos argentinos, os uruguaios tomaram conta da areia da praia mais setentrional do litoral Norte gaúcho.

Vivian atribui o aumento da demanda também ao “trabalho de formiguinha” que o município vinha fazendo ao longo dos anos, com foco na captação de mais turistas. “A questão do dólar impulsionou. Muitos argentinos e uruguaios que antes não saíam de seus países nas férias, puderam sair”, aponta a secretária municipal. O dólar favoreceu a presença dos hermaños, pois a moeda brasileira desvalorizou perante a norte-americana. Como é costume dos vizinhos trocar pesos por dólar ao longo do ano, eles vieram preparados para gastar no Brasil durante o verão.

Em Arroio do Sal, as notícias também são boas. “Diante do cenário de crise apresentado, ainda tenho a temporada como positiva, muito embora tenha havido uma certa retração”, explicou o prefeito Luciano Pinto. Ele afirma que, antes mesmo do início da temporada, o município preocupava-se com o cenário de incerteza econômica. “Tínhamos dúvidas quanto à presença dos veranistas e estávamos preocupados também com o pagamento dos impostos, pois, diante de uma crise, as pessoas deixam para pagar o IPTU por último. Isso não ocorreu”, comemora.

A observação dos prefeitos das praias mais ao Norte leva a crer que foi nessa região que o movimento se intensificou. Tramandaí reclama que houve diminuição no volume de vendas e no faturamento do comércio. O prefeito Edegar Rapaki diz que um período mais curto de temporada também prejudicou quem depende do movimento de verão, mas salienta que foi melhor do que o esperado numa perspectiva de crise econômica. “Até veio bastante argentino em relação aos últimos anos, mas aquém ao esperado. Nada comparado a quantidade que foi para Capão e Torres.”

• Principais praias avaliam a temporada


Para Rapaki, a duplicação da BR 101 também facilitou o escape de gaúchos para Santa Catarina. “O litoral precisa se preparar para trazer os gaúchos de volta às praias do Rio Grande do Sul, principalmente se continuar a situação de poluição do mar de Florianópolis”, opina. Outro motivo que agravou a sensação de crise no município foi a queda na arrecadação. Tramandaí perdeu valores de repasses de royalties de petróleo, já que o preço caiu internacionalmente. A prefeitura deixou de receber R$ 18 milhões em royalties no ano passado. Se consideradas a queda nas demais fontes de receita, o município deixou de arrecadar R$ 22 milhões em 2015. “A tendência é que a situação se mantenha, por isso não prometo investimentos para atrair turistas”, justifica Rapaki.

O vizinho Imbé avalia a temporada como positiva, apesar do período mais curto de veraneio. “O verão acabou junto com o Carnaval”, afirma o prefeito Pierre Emerim. Apesar disso, a avaliação geral é boa. “Nós tínhamos um certo receio em relação ao tempo, pois tínhamos notícias de que choveria muito durante o verão, mas o tempo mais ajudou do que prejudicou”, aponta. Segundo ele, os comerciantes queixam-se que o faturamento poderia ter sido melhor. “Mas isso é cultural deles”, minimiza. O prefeito afirma que o setor hoteleiro comemora bons resultados, com 95% de ocupação na maioria dos dias de veraneio. “A invasão argentina em Santa Catarina e Torres, fez com que os gaúchos preferissem ficar nas praias mais ao Sul”, completa.