A avó da menina Marcela, de 3 anos, que teria sido jogada da janela pelo pai, Carlos Emelau - que, em seguida, cometeu suicídio – confirmou hoje em entrevista ao Correio do Povo que a mãe da criança, Ângela Cristina da Silva, recebeu, horas antes do crime, uma mensagem via celular do advogado na qual ele fez uma ameaça. Tânia Maria da Silva, de 58 anos, disse que Ângela foi orientada para que não deletasse a mensagem, que estava assinada apenas com o nome Carlos.
Segundo a avó, que reside em Lajeado, o casal não estava separado e se encontrava nos finais de semana, mas o advogado queria que Ângela retornasse para Porto Alegre. "Eles sempre se deram bem", lembrou, observando que "tudo deu errado" a partir das dificuldades financeiras decorrentes do fechamento da empresa de vigilância dele. "Aí começaram as brigas", acredita, assinalando que "ultimamente ele andava meio estranho". "Minha filha não queria voltar pois não tinha como sustentar-se em Porto Alegre diante da situação financeira dele", afirmou.
Ângela trabalha como telefonista de uma repartição pública federal em Lajeado e Marcela frequentava uma creche próxima da casa da vó. "Ele não queria morar em Lajeado, onde minha filha estava bem e não tinha porque voltar", recordou. A filha dela e a neta residiam em sua casa desde o dia 25 de agosto do ano passado. Tânia falou que a filha está totalmente abalada. "É uma dor profunda", desabafou, acrescentando que ninguém entende o que ocorreu, pois o advogado "queria muito a menina".
Calculando que o relacionamento do casal já durava cerca de seis anos, a avó contou que a neta deveria ter retornado para Lajeado até a quinta-feira passada, dia 31, véspera de Ano-Novo, após passar uma semana com o pai. A demora do advogado em devolver a criança começou a preocupar, mas ninguém esperava a atitude extremada cometida na manhã de sábado. "Ele queria a minha filha lá, mas quem sabe ela não teria um mesmo fim", questionou-se. A mãe da criança esteve no sepultamento da filha no cemitério São Miguel e Almas, na Capital, na manhã de domingo. "Estou muito triste", lamentou a avó, ao dizer que estava "agarrando-se a Deus" para suportar o sofrimento.
Depoimentos serão ouvidos nos próximos dias
O delegado Rodrigo Bozzetto, da Delegacia de Homicídio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), assumiu na manhã desta segunda-feira o caso. Ele deve ouvir nos próximos dias os depoimentos de familiares, vizinhos e funcionários do edifício para descobrir a motivação.
"A família está traumatizada", avaliou, ao explicar o cuidado na convocação das oitivas. Laudos periciais do Departamento de Criminalística e do Departamento Médico Legal estão sendo aguardados. Uma das pistas para entender o que ocorreu será a análise do conteúdo das mensagens enviadas e ligações telefônicas feitas pelo advogado para a mãe da criança, Ângela Cristina da Silva, de 40 anos, em Lajeado, e aos parentes que encontravam-se em Capão da Canoa. O prazo do inquérito é de 30 dias.
Segundo Bozzetto, tudo indica efetivamente que houve um homicídio seguido de suicídio. Ele observou, porém, que talvez nunca será conhecida a razão pela qual o advogado jogou a filha da janela para a morte. Em relação à motivação e à possível premeditação do crime, o delegado entende que isso "não mudará nada na conclusão do inquérito", visto que o autor está morto.
Sobre a chegada do primeiro policial militar do 9º BPM ao apartamento do advogado, localizado no 12º andar do prédio, Bozzetto confirmou que as duas vítimas já tinham caído quando o brigadiano arrombou a porta após não obter resposta pelo interfone. No interior do imóvel, nada estava revirado e a televisão encontrava-se ligada em um desenho infantil.
Mãe da menina que teria sido jogada pela janela recebeu ameaça
Avó de Marcela, de 3 anos, concedeu entrevista hoje ao Correio do Povo