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Mãe tenta trocar criança por crack em Goiânia

Bebê de menos de dois meses valeria cerca de R$ 20 em drogas

Uma mulher de 38 anos foi presa pela Polícia Militar de Goiânia suspeita de tentar trocar a filha, com menos de dois meses de idade, por uma porção de pedras de crack avaliada em R$ 20. A prisão ocorreu na noite desse domingo em uma boca de fumo do bairro Parque Amazônia, na capital goiana.

De acordo com a PM, e no momento da prisão, a mulher se escondeu sob uma laje, com o bebê nos braços. "Eu não tentei negociar, e nem trocar, a minha filha por drogas", se defendeu a suspeita na Delegacia de Atendimento à Mulher, para onde foi levada e liberada após registro de boletim de ocorrência.

Ela confirmou estar, no momento da prisão, longe da sua casa, e sob efeito de álcool. Alega ter sido "chantageada" em um bar, onde teria pedido R$ 1,50 para a passagem de ônibus, e alguém sugeriu a troca. O caso foi repassado, hoje, para investigação da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA).

A tendência da Polícia Civil e do Conselho Tutelar é requerer na Justiça de Goiás a guarda do bebê. Com menos de dois meses de vida, e "arrastada" pelas ruas, a menina sequer foi registrada em cartório.

A avó materna da mãe recebeu a criança do conselho tutelar. Além dela, a mulher cuida de outros três bisnetos, todos filhos da mesma mulher que teria tentado vender a criança. A guarda dessas crianças vem sendo decidida pela Justiça em favor da avó.

De acordo com a avó, a mãe não tem emprego, dinheiro ou profissão, e vive nas ruas em busca de sexo, drogas e bebidas. "Uma paixão não correspondida", há 17 anos, teria lançado a neta nas ruas, segundo o relato. O histórico, dizem outros parentes, reforça o temor de que as quatro filhas dela precisam de lar e afetividade.

O Conselho Tutelar, mesmo não vendo provas concretas da troca da criança por drogas, aposta que a mãe vai mesmo perder guarda do bebê. "Não há testemunhas da tal negociação", disse a conselheira tutelar Karine Rodrigues Santos Almeida. "Mesmo assim, as chances de ficar com a criança são ínfimas", acredita. O Conselho entende que a polícia deverá enquadrar a mãe de por promessa de entrega de filho a terceiro por meio de pagamento, ou maus-tratos.

Situações como esta, onde pais usuários de drogas colocam a vida da criança em situação de risco, estão em alta nas estatísticas. Em 2011, avaliou o conselheiro tutelar João Batista Martins, cerca de quatro mil casos como esse passaram pelo Conselho Tutelar, entre outras ocorrências de espancamento e estupro. "Foram números recordes de ocorrências", disse ele.

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