Os médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Porto Alegre aprovaram indicativo de greve. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) entregou ao prefeito José Fogaça, nesta segunda-feira, uma pauta reivindicando, entre outras coisas, um plano de carreira próprio e reajuste salarial. O Executivo tem até o dia 14 de abril para negociar com a categoria. Segundo o presidente do Simers, Paulo Argolo, a possibilidade de paralisação conta com grande adesão.
As medidas foram definidas em uma assembleia realizada no Simers semana passada. A grande presença de representantes de hospitais e outras entidades chegou a surpreender os dirigentes do sindicato. Para o diretor da entidade, Jorge Eltz, o quadro atual é considerado "caótico" e prejudica o atendimento de pacientes. Entre os problemas, o dirigente aponta que cirurgias estão sendo suspensas em hospitais por falta de médicos. "Vamos pedir mais pessoal, pois existe uma dificuldade em preencher vagas por meio de concursos públicos. Em praticamente todas as unidades de atendimento na Capital há falta de profissionais", ressaltou.
Segundo o Simers, o Hospital de Pronto Socorro (HPS) conta com um déficit de 20% no quadro clínico atual. São 365 médicos, sendo que há falta de 66 devido a aposentadorias e exonerações.
No Hospital Presidente Vargas, a entidade aponta que a carência de anestesistas tem provocado cancelamentos ou adiamentos de cirurgias. Cerca de mil médicos estão vinculados à rede municipal.
Em relação ao reajuste salarial, o piso de R$ 1,3 mil por 30 horas de trabalho é considerado baixo e um dos principais fatores de saída dos profissionais do quadro do SUS.
"É um aumento de salário emergencial diante da situação atual. Queremos estar no SUS, mas com uma remuneração decente. Um médico faz faculdade de seis anos e mais dois a três anos, no mínimo, de residência. Isso precisa ser urgentemente valorizado", salientou o diretor do Simers.
Médicos da Capital aprovam indicativo de greve
Categoria quer reajuste e plano de carreira próprio