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Médicos federais protestam contra medida que reduz remuneração da categoria

Servidores realizaram manifestação na Capital

Categoria quer ser excluída da MP 568, que altera salários e carga horária de servidores federais
Categoria quer ser excluída da MP 568, que altera salários e carga horária de servidores federais Foto : Arthur Puls
Médicos federais que atuam em postos de saúdes e hospitais em Porto Alegre protestaram nesta terça-feira contra a Medida Provisória (MP) 568, em exame no Congresso, que reduz em 50% a remuneração do setor. “Além de elevar a jornada (dobra) sem aumentar o salário, os servidores perdem direitos. O risco é de evasão de profissionais, o que atingiria em cheio a saúde pública. É assim que o governo trata os médicos e ainda quer mais qualidade no Sistema Único de Saúde (SUS)", alerta o diretor do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Jorge Eltz.

Liderada pelo Simers, Conselho Regional de Medicina (Cremers) e Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), dezenas de profissionais, aliados a outros movimentos realizados em todo o País, protestaram com faixas para pedir a retirada dos itens que prejudicam a categoria. Se aprovada, os profissionais deverão cumprir uma jornada de trabalho de 40 horas semanais para receberem o salário equivalente ao que antes recebiam com 20 horas de trabalho por semana. A medida afeta mais de 42 mil médicos do Ministério da Saúde e 7 mil do Ministério da Educação.

No Congresso Nacional, líderes do governo se comprometeram a trabalhar para retirar a categoria da MP 568. Outro ponto a ser excluído é a redução da insalubridade e periculosidade, que atinge todos os servidores federais. “Em se tratando de política, nunca sabemos o desfecho”, sintetizou Eltz ao destacar que é um desestímulo para quem já está na profissão e para os estudantes de medicina.

Aposentada após 30 anos de trabalho em postos de saúde e no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, a pediatra Ângela Hexer, de 57 anos, participou da manifestação e criticou a medida. “Eu ganho R$ 3.883 com a aposentadoria, mas com a proposta nos próximos 10 anos esse valor não terá qualquer reajuste, ficará congelado. Não tem como se aposentar, manter o padrão de vida e ficar sem trabalhar”, diz a médica, que hoje atende em uma clínica particular.

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