O alerta dos profissionais é que o chamado bônus-residência discriminará quem não se submeter ao programa federal e restringirá o acesso às especializações, que atendem atualmente a metade dos formados nas faculdades. O bônus deve ser implantado no ano que vem e surgiu após resolução federal. A medida virou uma espécie de moeda de troca para seduzir médicos recém-formados a atuar em pequenas localidades e cidades de difícil acesso. O candidato à pós-graduação terá 10% a 20% a mais na pontuação da seleção, caso opter por trabalhar nesses municípios.
O alerta da Associação dos Residentes, no entanto, é de que levar médicos inexperientes às pequenas cidades não proporcionará os cuidados que a população necessita. Além disso, a grande rotatividade que o programa iria gerar, impediria a fixação dos profissionais no interior.
Uma pesquisa, divulgada nessa segunda-feira pela Confederação Nacional dos Municípios, mostrou a deficiência de consultas com especialistas e exames no Estado. A demanda reprimida de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) alcança quase 500 mil procedimentos. O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, defende que o governo estadual contrate, por concurso público, médicos para atuar no interior e na Região Metropolitana.
Na Capital, um ato a partir das 16h reunirá os manifestantes, todos vestindo jalecos brancos, em frente ao Museu de História da Medicina (MUHM), que fica no prédio histórico do Hospital Beneficência Portuguesa. A partir das 15h30min, alunos da UFRGS sairão do Hospital de Clínicas, partindo em caminhada pela avenida Osvaldo Aranha, até o local dos protestos.