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Madrasta chora no início do interrogatório

Alexandre Nardoni foi ouvido por mais de cinco horas

Após mais de cinco horas de interrogatório de Alexandre Nardoni, começaram por volta das 16h30min os questionamentos à Anna Carolina Jatobá. Logo no início da sessão, quando o juiz Maurício Fossen lia as acusações do processo, a madrasta de Isabella começou a chorar.

Assim como Nardoni, ela afirmou que as acusações contra ela são “totalmente falsas”. Ela será interrogada pela promotoria e depois pela defesa.

O interrogatório de Alexandre Nardoni, no quarto dia de julgamento do caso Isabella, foi marcado pelo conflito entre o réu e o promotor Francisco Cembranelli. Nardoni tentava responder de forma monossilábica, e na maior parte das vezes dizia não se lembrar de detalhes, inclusive sobre aqueles que já tinha citado em depoimentos anteriores.

Em alguns momentos, o pai de Isabella disse ao promotor: "Não coloque palavras na minha boca". Outras vezes, dizia para a acusação: "Isso não tem pertinência". O juiz interveio: "O senhor responda a pergunta, se eu achar impertinente, indefiro", disse Maurício Fossen.

Um dos maiores embates se deu quando o promotor perguntou por que Nardoni não socorreu a filha quando chegou ao térreo e não havia ninguém em volta da menina. "Não sei dizer. Porque ela estava no chão naquele momento. Quando eu cai em si (sic), o seu Lúcio (vizinho) dizia para não mexer nela", disse Alexandre ao relembrar a noite do dia 29 de março de 2008.

O réu respondia às perguntas de forma nervosa e evasiva. A defesa usava a estratégia de perguntar ao promotor em que página do processo estavam as afirmações que ele usava para interrogar Nardoni. O promotor rebateu dizendo que isso era feito para dar tempo do réu pensar. No final, Cembranelli começava a dizer a página em que se baseava antes de perguntar.

Em outro momento, quando perguntado por que não falou com Anna Carolina Jatobá, sua esposa, após a morte de Isabella, respondeu: "A situação era embaraçosa, eu tinha perdido o chão. Não sabia nem que rumo tomava. Havia perdido a coisa mais valiosa que eu tinha."

Ele voltou disse que foi agredido verbalmente por policiais. A promotoria, então, perguntou por que ele nunca relatou isso em interrogatórios. "Não me recordo", limitou-se a dizer.

Outro ponto em que o clima do interrogatório esquentou foi quando Cembranelli perguntou por que o réu estava usando óculos: "Eu nunca vi o senhor de óculos, começou a usar agora?". Nardoni respondeu: "O senhor não me conhece". Foi a vez do juiz intervir e pedir para ele responder a pergunta - o réu disse apenas que não enxergava bem de longe. "A ponto de não sair lágrima quando chora?", provocou o promotor. O juiz, então, voltou a se manifestar, pedindo ordem.