O titular da Promotoria Regional Ambiental, Daniel Martini, suspeita que um outro agente contaminante, diferente do que provocou as mortes anteriores, que já somavam cerca de 16 toneladas de peixe na quinta-feira, tenha atingido os cardumes encontrados nesta sexta. Ele explicou que os peixes apresentam características, como escamação, que não foram identificadas nas outras mortandades. Técnicos do Ministério Público, da Fepam e policiais do Comando Ambiental da Brigada Militar coletam material, que será analisado em laboratório.
Os peixes encontrados nesta sexta não surpreenderam o capitão do 1º Batalhão de Polícia Ambiental, Rodrigo Gonçalves dos Santos. "Desconfio que a causa da mortandade seja a mesma que atinge a foz do rio", afirmou ele, que observou que o vento nesta sexta-feira foi Sul, o que acaba, de certa forma, diminuindo a vazão ao Rio Gravataí, represando o agente causador do desastre ambiental. "A mortandade está com uma intensidade muito forte."
O oficial também disse que esteve em Nova Santa Rita nesta sexta-feira. Ele notou que o nível de oxigênio no local poderia estar diminuindo - no momento, variava entre 3,6 e 3,8 miligrama de oxigênio por litro na água. Em alguns pontos do Rio dos Sinos, esse índice era inferior a 0,1 mg/L, quando o ideal é entre 6 de 8 mg/L.
Resultados das análises serão apresentadas a prefeitos da região
Na próxima terça-feira, saem os resultados das análises microscópicas dos primeiros peixes contaminados. O promotor Daniel Martini pretende levar os laudos para uma reunião com os prefeitos das cidades da Bacia do Sinos, agendada para o próximo dia 15. Na ocasião, serão traçadas ações emergenciais de saneamento básico, apontada pelo capitão Rodrigo como a causa principal da tragédia.
Martini destacou, contudo, que até lá é de responsabilidade dos municípios a fiscalização das redes de esgoto. Os imóveis devem estar ligados à rede coletora ou possuir sistemas como fossa e sumidouro.
Corsan pode interromper distribuição para cidades abastecidas pelo Rio dos Sinos
O diretor-presidente da Corsan, Luiz Zaffalon, revelou que a companhia pode interromper o fornecimento para cidades abastecidas pelo Rio dos Sinos caso sejam identificadas alterações nas características da água distribuída para os moradores. Ele ressaltou que até o momento os poluentes não comprometeram a qualidade da água. Ele salientou que o corte deve ser imediato, se houver necessidade.