Nem a chuva impediu que elas colocassem um contêiner de lixo no meio da rua e impedissem a passagem de veículos. A principal revolta dos usuários era em função do final do prazo para atualização do cadastro único para a concessão e manutenção do benefício do Bolsa Família. Segundo correspondência recebida pelas beneficiárias, quem não atualizar os dados até o dia 21 de outubro, próxima sexta-feira, terá o pagamento suspenso.
Segundo cartazes afixados em frente à sede, diariamente o atendimento é realizado apenas pela manhã com a distribuição de 100 fichas. Porém, segundo relatos das beneficiárias na madrugada o número de pessoas aguardando atendimento na fila já era bem maior. “É a terceira vez que tento atualizar os dados e, mesmo chegando na madrugada, não consegui ficha”, reclamou Fabiana Dorneles, que tem quatro filhas e mora na Restinga. Ela contou que a única orientação era para que voltasse no dia seguinte. “Enquanto isso fico pagando passagem e perdendo o tempo”, lamentou.
O mesmo sentimento dela era compartilhado por outras mulheres, que reforçavam o ato. “Vim do Sarandi com os meus dois filhos (uma de 6 anos e outro de 2 anos) e preciso do benefício. E a resposta que tive é que não tem ficha e pronto”, relatou Isabel Silva. Elas denunciaram ainda que algumas pessoas estavam comercializando as fichas por cerca de R$ 50,00 cada.
Em função do protesto, o transito precisou ser desviado, especialmente pela rua Múcio Teixeira, por agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Foi registrada lentidão no fluxo de veículos no sentido bairro-centro na avenida Ipiranga.
A avenida foi desbloqueada após acerto com a direção da Fasc. Porém, até o momento a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) não se manifestou sobre o episódio.