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Manifestação pela redução da passagem acaba em ataque à sede da ATP

Prédio teve dezenas de vidraças quebradas e fachada foi pichada

Manifestantes quebraram dezenas de vidraças e fachada foi pichada
Manifestantes quebraram dezenas de vidraças e fachada foi pichada Foto : Mauro Schaefer
Estudantes e trabalhadores fizeram, na noite desta quinta, novo protesto contra o preço da tarifa dos ônibus de Porto Alegre. Centenas de jovens se reuniram na frente do auditório Araújo Viana e, de lá, partiram em marcha pelas avenidas Osvaldo Aranha e Protásio Alves até a frente da sede da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), onde alguns manifestantes arremessaram pedras contra vidraças e picharam frases como “É apenas o começo”.

Depois da revogação do aumento, que elevou o preço das passagens para R$ 3,05, o grupo, que alega não possuir líderes e se organizar pelas redes sociais, protesta pelo rebaixamento dos atuais R$ 2,85 – obtidos provisoriamente por efeito de liminar – para R$ 2,60, valor calculado pelo Ministério Público de Contas.

“Para trabalhar, para estudar, eu quero R$ 2,60 já. Eu pago, não deveria, transporte público não é mercadoria. Tri caro, tri demorado. Ainda por cima é tri lotado”, diziam as letras entoadas nos cânticos durante o ato.

Os jovens não dão entrevistas. Evitam falar como representantes do grupo. Oferecem respostas evasivas às perguntas da imprensa. Desconfiam da infiltração de brigadianos do serviço de inteligência. Fotografam as pessoas que não são reconhecidas como integrantes do protesto.

Notável também é o fato de que há diversas formas de se manifestar. Entre os estilos de expressão, há estudantes com camisetas de sua universidade e com o rosto altivo e limpo.
Entregam panfletos sobre os motivos do protesto para quem está na rua. Outros escondem a face com bonés e camisetas feitas de lenço. Uns poucos aproveitam o deslocamento da massa e picham as paredes com frases de efeito sobre o valor do transporte público, a corrupção na política e a abordagem da imprensa sobre temas de interesse popular.

Apesar de posições eventualmente controversas, os manifestantes encontram a simpatia das pessoas. “Sendo organizado e pacífico, é válido. Eu enxergava essa juventude alienada dos problemas do país. Parece que eles acordaram”, comentou o empresário José Ricardo Azambuja, 51 anos.



Centenas de manifestantes percorreram a avenida Protásio Alves | Foto: Mauro Schaefer

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