Em entrevista à Rádio Guaíba, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major André Luiz Córdova, destacou que o número ainda pode aumentar. “Parte do levantamento nós já catalogamos, mas podem surgir ainda mais coisas ao longo do dia, danos que se percebem depois, com a luz do dia”, ponderou. Córdova apontou 21 lojas comerciais e prédios pichados, além de três bancas de revistas, seis agências bancárias danificadas, dois veículos particulares e dois de órgãos de imprensa depredados e cerca de 43 contêineres vandalizados, sendo que um deles foi incendiado. Além dos prejuízos materiais, um PM foi ferido, conforme a BM.
Um dos locais mais danificados foi a agência do Banrisul situada na avenida Borges de Medeiros próximo ao Largos dos Açorianos. Depois que as vidraças foram quebradas, um cartaz foi fixado entre os vidros, reprovando a ação de vandalismo.
O major ressalta que apenas uma parcela do grupo que protestava é responsável pelos atos de vandalismo. “Nós calculamos que 95% das pessoas presentes no ato depois foram pra casa, tinham encerrado suas manifestações e inclusive criticavam aqueles que cometiam vandalismo, vaiando ou xingando eles, pedindo para que parassem. Mas quando começou a depredação, a BM saiu na perseguição dessas pessoas e conseguiu identificar alguns”, relatou.
A BM estima que cerca de 2 mil pessoas tenham participado do ato. No fim, 23 pessoas foram detidas – 18 homens e cinco mulheres. De acordo com o major, quatro dos detidos possuíam antecedes criminais. Um deles, reunia mais de uma passagem pela polícia: por roubo, tráfico de drogas, porte de entorpecentes, além de assalto a pedestre, com agressões.
O grupo se reuniu no Centro da Capital no final da tarde, de onde saiu em caminhada até a avenida João Pessoa. O trânsito parou enquanto centenas de pessoas percorriam as vias centrais. O motivo para o protesto, conforme alguns manifestantes, era manter o valor da passagem de ônibus em R$ 2,85. Outra justificativa foi a solidariedade aos protestos realizados contra o reajuste da tarifa no Rio de Janeiro, São Paulo e Alagoas.
"Manifestantes todos são, criminosos não", diz delegada
Uma série de inquéritos policiais investigou os últimos protestos em Porto Alegre, que começaram com maior intensidade em março. Um deles, que apurou o dano à sede da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), em 11 de abril deste ano, foi remetido à Justiça nesta semana. A depredação resultou em um prejuízo superior a R$ 50 mil.
No início do mês, a Polícia Civil indiciou seis jovens envolvidos nos protestos em frente ao Paço Municipal, em 27 de março. Outro inquérito policial que apura a manifestação do dia 23 de abril ainda está em andamento – na ocasião, um dos manifestantes teria agredido um cavalo da Brigada Militar. “Torna um pouco maias difícil, porque alguns manifestantes não compareceram para depor”, lamentou a adjunta da 17ª DP, delegada Carmen Kátia Regio, que conduz a investigação, em entrevista à Rádio Guaíba.
Ela espera, no entanto, concluir o trabalho investigativo nos próximos dias. “Nos surpreende a ausência (para depor) porque quando acontece situações como a de ontem à noite, em que os manifestantes pacíficos reclamam que meia dúzia não mostra o rosto, na hora de depor ninguém sabe de nada, ninguém viu nada”, sustentou. “Manifestantes todos são. Criminosos não”, destacou.
TCE mantém tarifa em R$ 2,85
Pouco antes do início da manifestação na Capital, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) emitiu medida determinando que a Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC) mantenha o valor da tarifa do ônibus na cidade em R$ 2,85. De acordo com a decisão do relator do processo, conselheiro Iradir Pietroski, as planilhas que geraram a formação de preço da tarifa em R$ 3,05 possuem erros e inconformidades.
O relator concedeu prazo de 15 dias para que a EPTC adote as providências pertinentes. A decisão deve ser mantida até que sejam corrijidos os problemas apontados e que sejam considerados os efeitos da desoneração tributária promovida pelo governo federal.O TCE notificou o prefeito José Fortunati e remeteu cópia da decisão ao Tribunal de Justiça (TJ) e ao Ministério Público (MP) do Estado.
Liminar garantiu tarifa a R$ 2,85 em abril
Em abril, a Justiça acatou uma liminar da bancada socialista na Câmara de Vereadores suspendendo o reajuste que elevou a tarifa do ônibus na Capital gaúcha de R$ 2,85 para R$ 3,05 em março. O preço cobrado nas lotações também havia subido de R$ 4,25 para R$ 4,50, alta que também foi impedida na ocasião.
Também nesta semana, o procurador José Túlio Barbosa, encaminhou um parecer favorável à manutenção do valor da passagem de ônibus em R$ 2,85. O documento conta com 36 laudas e foi remetido para a 22ª Câmara do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. A previsão é de que o recurso seja julgado entre uma e duas semanas no TJ.