Os moradores de Erechim que dependem de ônibus tiveram que procurar outra alternativa de transporte ou circular a pé no começo da manhã desta quinta-feira. Depois das 5h, um grupo de manifestantes concentrou-se em frente ao portão de saída da garagem da empresa responsável pelo transporte coletivo urbano. De acordo com o diretor e um dos proprietários da empresa, João Alberto Batistus, o portão foi fechado com o uso de uma corrente pelos manifestantes. Depois eles atearam fogo em madeira e pneus em frente ao portão para impossibilitar a saída dos coletivos.
João Batistus disse que não foi procurado por ninguém do grupo que participou da manifestação. “Nem sabemos o que eles querem”, disse o dirigente. Ele ainda salientou que preferia usar o bom senso para impedir que qualquer ato pudesse incitar um clima mais belicoso no local. Nem mesmo a Brigada Militar foi acionada, que, no entanto, de acordo com a direção da empresa, teria passado pelo local com uma viatura.
Os manifestantes deixaram o local no meio da manhã e se reuniram na Praça da Bandeira. Antes do meio-dia os ônibus devem voltar a circular pela cidade.
A empresa
A Empresa de Transportes Gaurama Ltda, que fica na rua Jerônimo Teixeira, a três quadras do Centro da cidade, é responsável pelo transporte urbano do município do Norte do Estado desde 1957. São 49 coletivos que atendem 50 linhas. Os ônibus saem às 5h30min e ficam nas ruas até a meia-noite. A passagem que estava em R$ 2,25 durante 14 meses foi elevada para R$ 2,60 no dia 1º de setembro.
O proprietário e diretor da empresa disse que em princípio, pelo que soube, os manifestantes seriam alunos da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), mas reiterou não ter sido procurado por ninguém para discutir a situação, a razão da manifestação.
Os ônibus da empresa Gaurama transportam em média 350 mil pessoas por mês em Erechim. E desde a instalação do câmpus da UFFS a sete quilômetros do Centro, às margens da ERS 135, também mantém horários que ligam o Centro ao campus.
DCE da UFFS negam participação
O coordenador do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFFS, Amadeus Reolon, disse que o diretório não participou do ato. De acordo com Amadeus foi um ato isolado de movimentos sociais e que contou com a presença de dois ou três alunos da UFFS que pertencem a outros movimentos estudantis, mas eles “não representam o DCE e muito menos a UFFS”.
O diretor do campus da UFFS, professor Anderson Ribeiro, disse que não foi informado sobre a organização do ato. No entanto, ele esclareceu que a direção do campus e do DCE mantêm relações de diálogo com a empresa de ônibus citando que na última reunião, no final do passado, foi debatido horários e número de ônibus para fazer o transporte de alunos até o campus.
Manifestantes impedem saída de ônibus em Erechim
Grupo ateou fogo em madeira e pneus em frente ao portão da empresa de transporte