Com bandeiras de partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais, os manifestantes ficaram posicionados em frente às grades colocadas na entrada do hotel onde serão feitas as propostas pelas reservas de petróleo. Com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, agentes de segurança dispersaram um grupo contrário ao leilão do Campo de Libra, que derrubou as grades.
Cerca de 1,1 mil homens da Força Nacional e do Exército fazem dois bloqueios para impedir a chegada de manifestantes. O bloqueio chega, inclusive, à areia da praia. No mar, dois navios da Marinha estão posicionados na direção do hotel.
Banhistas e moradores reclamam
Até as 10h, os militares estavam permitindo a passagem de banhistas e moradores pelo mar, mas agora o acesso está totalmente fechado. A moradora da Barra Vanessa Teixeira teve que passar pela areia para chegar em casa. “Não vejo necessidade nisso. Estou sem o comprovante de residência e estou tendo que passar por aqui”.
César Nogueira, que andava de bicicleta pela área, teve que carregá-la no ombro pela areia para passar pelo bloqueio. “É muito desagradável. Eles poderiam dar uma opção de permitir o trânsito de moradores pela calçada. “Fica difícil trazer um comprovante de residência”.
Já Cláudia Fernandes teve a caminhada interrompida e, inconformada, avaliou a situação como absurda. “Eu não tenho nada a ver com essas manifestações. Sou moradora e só queria dar uma caminhada”.
Campo de Libra tem potencial para ser maior do País
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza nesta segunda-feira o primeiro leilão de exploração e produção de petróleo na camada pré-sal, sob o regime de partilha da produção. A licitação envolverá a área de Libra, localizada na Bacia de Santos, que tem reservas estimadas de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis (isto é, aquilo que pode ser comercialmente retirado do subsolo).
Caso confirmada a reserva, Libra se tornará o maior campo de petróleo do país, com volume superior aos campos de Lula (que tem reserva estimada de 8,3 bilhões de barris de petróleo e gás) e Franco (cerca de 5 bilhões), ambos no pré-sal da Bacia de Santos. Libra, portanto, não será o primeiro campo do pré-sal, mas será pioneiro sob o novo regime de partilha, em que a União é parceira na operação da área.