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Manifestantes que ocupam Demhab recebem intimação para audiência de conciliação

Encontro está marcado para 15h desta segunda no Foro Central

Grupo ocupa o prédio desde a última quinta-feira
Grupo ocupa o prédio desde a última quinta-feira Foto : Samuel Maciel
Ocupando o prédio do Departamento de Habitação de Porto Alegre (Demhab) desde a última quinta-feira, os movimentos sociais receberam neste domingo uma intimação da Justiça para participarem da audiência de conciliação com a Prefeitura de Porto Alegre que ocorre nessa segunda-feira, às 15h, no Foro Central.

Os manifestantes já decidiram que não aceitam mais negociar com a atual superintendente de Ação Social e Cooperativismo da Prefeitura e que irão expor, na reunião de mediação, denúncias de violação de direitos na aplicação de políticas públicas.

Em nome do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Cláudia Fávaro diz que Porto Alegre não demonstra vontade política para resolver o déficit habitacional na cidade. “No período mais fértil da habitação no Brasil, a política da prefeitura foi de apenas construir moradias para remoção de famílias, mas não atuou para reduzir com as deficiências habitacionais de forma geral”, criticou.

Na audiência de conciliação, o grupo avisou que vai apresentar à Justiça a sua lista de reivindicações, envolvendo algumas áreas da cidade, o pagamento de aluguéis sociais que estariam atrasados e a necessidade do avanço de programas habitacionais.

Na ocupação, durante o final de semana, vários setores foram criados para organização do espaço: comissões de limpeza, alimentação, segurança, arrecadação de doações. Muitos vizinhos do prédio do Demhab, que fica na avenida Princesa Isabel, se solidarizaram com os ocupantes e entregaram até cobertores no local.

Sobre a ocupação, a Prefeitura se manifestou na sexta-feira, por meio de nota, dizendo que, mesmo que muitas demandas estejam ligadas a outras esferas de governo, “as reivindicações desses movimentos vêm sendo acompanhadas e tratadas seriamente no município, tanto é assim que foi formado Grupo de Trabalho específico para os Lanceiros Negros, isso sem falar na construção de habitações mais dignas para a Dique”.

Também colocou que “a invasão e o bloqueio do prédio trazem diversos prejuízos à população mais carente, que fica impedida, por exemplo, de tratar questões ligadas ao pagamento de aluguel social, bônus moradia ou de realizar cadastro no órgão”.