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Manifesto marca início da greve dos médicos residentes

Categoria reivindica reajuste no valor da bolsa-auxílio, congelado desde 2006

Médicos residentes do SUS iniciam greve
Médicos residentes do SUS iniciam greve Foto : Marina Fauth/Especial CP
Cerca de 2,4 mil médicos residentes do Sistema Único de Saúde (SUS) iniciaram uma greve nesta terça-feira, em diferentes regiões do Estado, reivindicando reajuste no valor da bolsa-auxílio, congelado desde 2006. O movimento se estende aos municípios de Rio Grande, Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria e Porto Alegre, onde até nove hospitais podem ter os serviços alterados. Entre eles, o Hospital de Pronto Socorro (HPS), Presidente Vargas, Grupo Conceição, Instituto de Cardiologia, Santa Casa e o Hospital de Clínicas, onde a categoria realizou um manifesto na manhã desta terça-feira.

Há mais de quatro meses, data da última paralisação, as negociações com os ministérios da Saúde e Educação pouco avançaram, conforme explica o presidente da Associação dos Médicos Residentes, Nívio Moreira. "A mais recente proposta indica 20% de aumento. Não aceitamos e por isso optamos pela greve por tempo indeterminado, diferente do mês de abril, quando paralisamos por 24 horas", disse ele, que reafirma o desejo de 38% de reajuste.

Além disso, Moreira atenta para o pagamento de auxílio-moradia, auxílio-alimentação e adicional de insalubridade, além de reajuste anual, instituição da 13ª bolsa-auxílio e aumento da licença-maternidade, de quatro para seis meses. "Também buscamos recursos para investir em livros e cursos de formação."

Uma assembleia marcada para o fim da tarde de hoje decide o destino da categoria. Até então, o atendimento a população pode sofrer alguns transtornos. Instituições de saúde se preparam para a suprir a demanda atribuída aos residentes, remanejando o quadro de médicos contratados. Consultas eletivas poderão ser remarcadas para os próximos dias.

Nas emergências, a paralisação é parcial já que, por lei, 30% da equipe permanece no setor. De qualquer forma, a orientação é que as pessoas procurem normalmente os hospitais para atendimento do SUS, sendo que o que pode ocorrer é uma demora maior no atendimento.

A ultima paralisação dos médicos residentes ocorreu no dia 13 de abril. Atualmente, há cerca de 22 mil residentes no Brasil, número ainda considerado insuficiente se levada em conta a demanda por especialistas no Sistema Único de Saúde. Em Porto Alegre, são 1,7 mil residentes. De acordo com a Associação, a adesão a greve já chega a 70% no Rio Grande do Sul.