Toda a equipe de médicos, enfermeiros e funcionários se mobilizou para atender esses pacientes, que precisavam de ajuda para respirar. O setor, que normalmente funciona com seis pessoas, passou a contar com 30, que se revezaram no respirador manual (ventilação mecânica) e no monitoramento dos doentes, que ficaram por duas horas no escuro.
De acordo com o diretor-geral da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, Juarez Verba, que administra o hospital, além dos pacientes que precisavam de ventilação mecânica, havia outras duas pessoas na UTI Adulto e dez na Neonatal. No entanto, eles não sofreram danos à saúde, porque, no caso dos bebês, segundo ele, os leitos permaneceram aquecidos.
“Não houve tempo para o esfriamento das crianças. Se a situação se prolongasse, poderia ter ocorrido algum prejuízo aos pacientes. A maioria ficou no escuro, mas sem problemas”, afirmou. Verba não soube informar o motivo para o gerador não ter funcionado. “Houve uma pane”, explicou, dizendo que a direção não sabia sobre a realização do serviço de manutenção de energia elétrica. “A CEEE diz que informou, mas não sabe a quem”, salientou.
CEEE reassaltou a entrega de um comunicação ao hospital
A CEEE ressaltou que entregou um comunicado padrão ao hospital avisando sobre a manutenção programada para ocorrer entre 6h e 11h30min. Em função de o gerador do hospital não ter funcionado, foi feita uma ligação da subestação de Atlântida Sul. De acordo com a companhia, a notícia de que ocorreria um desligamento foi, inclusive, veiculada pela imprensa local.
Para responsável técnico, situação não se agravou graças à agilidade da equipe
O responsável técnico pelo hospital, André Bueno, chegou a pedir leitos a outros hospitais da região, caso fosse necessária a remoção de algum paciente. Para ele, a situação só não se agravou em função da agilidade da equipe. “Foi muito complicado. Todos correram para atender os que estavam mais graves”, disse.
A enfermeira Deise Siqueira foi uma das que ficou no setor durante a falta de luz e mencionou que o clima foi quase como uma operação de guerra. “Nunca havia passado por algo semelhante. Já havia visto uma interrupção de cinco ou dez minutos, não todo esse tempo”, destacou.
Simers quer protocolo de entrega das notificações
A diretora do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Clarissa Bassin, disse que a entidade fará uma proposta para que haja um protocolo de entrega das notificações. “Se não, fica uma briga de versões”, falou. Para ela, é preciso que os hospitais façam manutenções nos geradores de forma mais frequente. “Foi uma eventualidade que não pode se repetir”, avaliou.
Clarissa observou que o formulário enviado a lugares como um hospital não podem ser os mesmos mandados para os clientes comuns. “Uma coisa é estragar uma geladeira, outra é estragar um aparelho de tomografia”, explicou. André Bueno contou que não houve tempo para desligar o aparelho de tomografia e que esse equipamento é um dos poucos que existem na região.
O Hospital de Tramandaí está sob a gestão da fundação há um ano. Em 2011, foi firmado um acordo entre a Secretaria Estadual da Saúde e a prefeitura de Sapucaia do Sul, que assegurou a manutenção de 200 trabalhadores e o funcionamento de 115 leitos.
Falta de luz prejudicou pacientes que ficam na UTI do hospital / Foto: Paulo Nunes