O secretário municipal da Fazenda de Porto Alegre, Cristiano Tatsch, autorizou, nesta quarta-feira, o início de um levantamento que possibilitará a modernização da base de dados de Porto Alegre, a partir da obtenção de imagens aéreas. O aerolevantamento inclui o mapeamento digital da cidade e a atualização da base cartográfica do município e do cadastro imobiliário. O contrato tem duração de 30 meses e envolve investimento de R$ 22 milhões.
Os primeiros voos para a captação de imagens acontecerão dentro de 50 dias. O projeto foi desenvolvido pelas secretarias da Fazenda e do Planejamento, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O trabalho foi precedido da migração dos dados da prefeitura para tecnologias atualizadas, preparando o cadastro para receber as novas informações. Tatsch salientou que os sistemas e cadastros estavam defasados. “O último aerolevantamento completo foi realizado em 1982 e o último cadastramento completo dos imóveis, em 1957”, revelou.
A estimativa é que existam 100 mil economias a atualizar no município - 50 mil não cadastradas e 50 mil com informações desatualizadas. Com base nos dados captados, a Fazenda fará as atualizações na tributação do IPTU e da taxa de coleta de lixo, devendo gerar uma receita de R$ 30 milhões. “A medida tem o objetivo de promover justiça tributária. Os proprietários de imóveis que não contribuem ou contribuem menos do que deveriam, mas usufruem dos serviços prestados, serão chamados à regularização”, frisou Tatsch. O secretário do Planejamento, Márcio Bins Ely, revelou que esta é a primeira vez que a prefeitura investe na modernização completa da base de dados urbanos. Segundo ele, a abrangência e o conjunto de recursos tecnológicos previstos são inovadores no poder público.
Mais moderna base cartográfica do País
Ao término do aerolevantamento, Porto Alegre terá a mais moderna base cartográfica do País. A modernização permitirá o futuro uso do GPS e a substituição da atual Carta Geral (de 1903) para o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (Sirgas 2000), como determina o IBGE. No aerolevantamento, será mapeada toda a área de Porto Alegre (470 quilômetros quadrados) e mais uma faixa de 250 metros no entorno, para abranger os limites intermunicipais, incluindo a represa Lomba do Sabão e o Parque Saint’Hilaire, com cobertura total de 545 quilômetros quadrados. O período para voos tem duração prevista de cinco meses, dependendo das condições climáticas. “Além das fotografias planas, a utilização do laser originará imagens em três dimensões (3D) dos volumes das construções e das superfícies”, explicou o engenheiro cartográfico Valther Xavier Aguiar, do Consórcio Guaíba, vencedor da licitação.
O Consórcio Guaíba empregará três aeronaves Navajo - duas equipadas com laser e uma com câmera fotográfica digital. “A aeronave que captará as imagens digitais sobrevoará a cidade das 10h às 14h, de modo a evitar as sombras indesejáveis nas fotografias. Os aviões dotados de equipamentos a laser possibilitam o aerolevantamento inclusive à noite. ”O estudo terá como produto um amplo banco de informações sobre o estágio de desenvolvimento da cidade”, destacou.
Mapeamento de Porto Alegre será realizado por imagens aéreas
Tecnologia atualizará a base cartográfica do município e do cadastro imobiliário