indicação para corte.
O assunto gerou polêmica nas redes sociais e alguns representantes de entidades em defesa do Meio Ambiente já estavam pensando em realizar um protesto, caso fosse confirmada a possível derrubada. No entanto, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) informou nesta segunda-feira que a pintura foi um ato de vandalismo. Até os funcionários que atuam no local se surpreenderam.
A maior parte das árvores marcadas está atrás do Auditório Araújo Vianna. Quem passou pela área temeu que ocorresse algo semelhante ao corte de dezenas de unidades para a duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio. “Vamos ficar sem a sombra no verão? A mata é tudo que temos”, indagou o pedreiro Adão Araújo, 70 anos, que caminhava no parque e parou para observar as dúzias de letras pintadas nos troncos.
O jornalista Heverton Lacerda, membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), contou que um grupo de inconformados com a queda das árvores no entorno da Usina do Gasômetro e a previsão de remoção de outras na região, além de mil na avenida Tronco, realizou um manifesto no domingo na Redenção. Nesse dia, eles viram as marcas nas árvores do parque e ficaram preocupados.
Segundo ele, devido a outros episódios, a população está alarmada com um suposto atentado à natureza. “Continuamos organizados para ampliar o cuidado com as árvores. Parece que estamos vivendo um estado de exceção por conta das leis da Fifa (Federação Internacional de Futebol), em que todos estão liberados de licitações e de estudos ambientais”, refletiu.
Na opinião de Lacerda, a agilidade não é o mais importante. “Não somos contra ao progresso, mas é preciso que se estude alternativas de degradar menos. Somos contra o atropelamento dos processos”, disse. Ainda restam
seis árvores na região do Gasômetro que devem ser removidas. A Secretaria Municipal de Gestão aguarda autorização da Justiça.
Árvores da avenida Osvaldo Aranha também preocupam
Outra questão que preocupa os movimentos sociais e ambientais são as árvores na avenida Osvaldo Aranha. Os jacarandás, entre as palmeiras, estão secos, quase morrendo. Sobre isso, a Smam informou que técnicos acompanham os vegetais há dois anos. O problema não é causado, nem agravado, pelas obras do sistema rápido de transporte (BRTs).
Segundo a bióloga da Smam, Regina Patrocínio, as árvores da avenida, assim como de outras ruas da região, têm uma doença, mas o laudo sobre o caso é inconclusivo. O motivo ainda é investigado.
Confira a nota da Secretaria Municipal do Meio Ambiente:
"Vândalos pintam árvores na Redenção
Neste final de semana, funcionários e frequentadores do Parque Farroupilha (Redenção) foram surpreendidos por um ato de vandalismo praticado em dezenas de árvores espalhadas pelo parque. As árvores receberam pintura com a letra “c”, criando o falso boato de que haveria intenção por parte da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) em remover alguns vegetais no parque, já que a letra “c” seria um indicativo de “corte”.
Paineiras, Eucaliptus, Plátanos, Tipuanas, Chal-chal, Pau-Ferro, Cinamomos, Angicos, Pitangueiras, Timbaúvas e outras espécies foram pintadas, nos mais diversos recantos do parque, nas áreas mais arborizadas, como próximo ao antigo Minizoo e próximo ao Recanto Oriental. “Lamentamos muito este tipo de ato, pois as árvores são as
mais prejudicadas, já que algumas tintas podem ser tóxicas. Além do dano estético aparente, a ação criou um temor desnecessário de que há chance desses vegetais serem removidos”, explica o engenheiro agrônomo Paulo Jardim, administrador do Parque Farroupilha.
Cabe esclarecer que a Smam realiza o manejo das árvores do Parque Farroupilha diariamente, removendo-as apenas nos casos de encontrarem-se secas ou mortas ou ainda em risco de queda. As árvores compõem o
patrimônio natural e paisagístico local".