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Marcas de tinta em árvores da Redenção causam polêmica

Secretaria do Meio Ambiente informou que as pinturas são atos de vandalismo

Galhos secos dos vegetais da avenida Osvaldo Aranha também preocupam
Galhos secos dos vegetais da avenida Osvaldo Aranha também preocupam Foto : André Ávila
O aparecimento de marcas em mais de 20 árvores no Parque da Redenção, no final de semana, deixou em alerta ambientalistas de Porto Alegre. Pintada no tronco das unidades estava a letra C, que eles pensaram ser uma
indicação para corte.

O assunto gerou polêmica nas redes sociais e alguns representantes de entidades em defesa do Meio Ambiente já estavam pensando em realizar um protesto, caso fosse confirmada a possível derrubada. No entanto, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) informou nesta segunda-feira que a pintura foi um ato de vandalismo. Até os funcionários que atuam no local se surpreenderam.

A maior parte das árvores marcadas está atrás do Auditório Araújo Vianna. Quem passou pela área temeu que ocorresse algo semelhante ao corte de dezenas de unidades para a duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio. “Vamos ficar sem a sombra no verão? A mata é tudo que temos”, indagou o pedreiro Adão Araújo, 70 anos, que caminhava no parque e parou para observar as dúzias de letras pintadas nos troncos.

O jornalista Heverton Lacerda, membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), contou que um grupo de inconformados com a queda das árvores no entorno da Usina do Gasômetro e a previsão de remoção de outras na região, além de mil na avenida Tronco, realizou um manifesto no domingo na Redenção. Nesse dia, eles viram as marcas nas árvores do parque e ficaram preocupados.

Segundo ele, devido a outros episódios, a população está alarmada com um suposto atentado à natureza. “Continuamos organizados para ampliar o cuidado com as árvores. Parece que estamos vivendo um estado de exceção por conta das leis da Fifa (Federação Internacional de Futebol), em que todos estão liberados de licitações e de estudos ambientais”, refletiu.

Na opinião de Lacerda, a agilidade não é o mais importante. “Não somos contra ao progresso, mas é preciso que se estude alternativas de degradar menos. Somos contra o atropelamento dos processos”, disse. Ainda restam
seis árvores na região do Gasômetro que devem ser removidas. A Secretaria Municipal de Gestão aguarda autorização da Justiça.

Árvores da avenida Osvaldo Aranha também preocupam

Outra questão que preocupa os movimentos sociais e ambientais são as árvores na avenida Osvaldo Aranha. Os jacarandás, entre as palmeiras, estão secos, quase morrendo. Sobre isso, a Smam informou que técnicos acompanham os vegetais há dois anos. O problema não é causado, nem agravado, pelas obras do sistema rápido de transporte (BRTs).

Segundo a bióloga da Smam, Regina Patrocínio, as árvores da avenida, assim como de outras ruas da região, têm uma doença, mas o laudo sobre o caso é inconclusivo. O motivo ainda é investigado.

Galhos secos das árvores da avenida Osvaldo Aranha também preocupam | Crédito: André Ávila / CP

Confira a nota da Secretaria Municipal do Meio Ambiente:


"Vândalos pintam árvores na Redenção

Neste final de semana, funcionários e frequentadores do Parque Farroupilha (Redenção) foram surpreendidos por um ato de vandalismo praticado em dezenas de árvores espalhadas pelo parque. As árvores receberam pintura com a letra “c”, criando o falso boato de que haveria intenção por parte da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) em remover alguns vegetais no parque, já que a letra “c” seria um indicativo de “corte”.

Paineiras, Eucaliptus, Plátanos, Tipuanas, Chal-chal, Pau-Ferro, Cinamomos, Angicos, Pitangueiras, Timbaúvas e outras espécies foram pintadas, nos mais diversos recantos do parque, nas áreas mais arborizadas, como próximo ao antigo Minizoo e próximo ao Recanto Oriental. “Lamentamos muito este tipo de ato, pois as árvores são as
mais prejudicadas, já que algumas tintas podem ser tóxicas. Além do dano estético aparente, a ação criou um temor desnecessário de que há chance desses vegetais serem removidos”, explica o engenheiro agrônomo Paulo Jardim, administrador do Parque Farroupilha.

Cabe esclarecer que a Smam realiza o manejo das árvores do Parque Farroupilha diariamente, removendo-as apenas nos casos de encontrarem-se secas ou mortas ou ainda em risco de queda. As árvores compõem o
patrimônio natural e paisagístico local".

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