De acordo com a assessoria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – entidade responsável por zelar e proteger os monumentos históricos e artísticos brasileiros, entre eles, o acervo arquitetônico e urbanístico –, o tatu-bola foi instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização prévia do órgão, desrespeitando a legislação federal. Ainda de acordo com o Iphan, os técnicos já estudavam as medidas cabíveis.
Diferentemente do mascote apresentado pelo Comitê Gestor da Copa, que usava uniforme branco com os dizeres “Brasil 2014”, o boneco inflável instalado na Esplanada dos Ministérios usava uma blusa vermelha com a logomarca da Coca Cola, patrocinador oficial do evento esportivo. O tatu-bola permaneceu no local por 15 dias. O objeto deveria ficar na Esplanada até o próximo dia 14, quando seria transferido para uma via de acesso ao aeroporto, onde ficaria exposto por 21 dias.
A Brasal (fabricante da Coca-Cola no Distrito Federal e responsável pela execução da ação de marketing promocional) alega que recebeu autorização do governo do Distrito Federal para instalar o boneco. Apesar disso, o Iphan podia determinar que o boneco fosse retirado ou multar a empresa. O governo do Distrito Federal informou que a Administração Regional de Brasília autorizou a exposição do boneco por considerar a relevância da matéria para o Brasil e para a capital federal.
Na semana passada, um boneco semelhante já havia sido alvo de protestos. Em Porto Alegre, centenas de manifestantes destruíram uma réplica do mascote durante um protesto contra a “privatização de locais públicos”. Acionados para proteger o boneco, soldados do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar (BM) entraram em confronto com os manifestantes, utilizando cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha. Várias pessoas, inclusive policiais, ficaram feridas no conflito.
Além de Brasília e Porto Alegre, cópias dos bonecos foram instaladas em mais oito cidades-sede dos jogos da Copa. Em Curitiba (PR), ele pode ser visto na Rua XV de Novembro, no Centro. Já em Salvador (BA), o boneco inflável está exposto diante de um dos principais cartões-postais da cidade, o Farol da Barra. Entre as 12 cidades que sediarão partidas do megaevento, apenas Manaus (AM) e Natal (RN) deixaram de receber os bonecos. Segundo a assessoria da Coca-Cola, isso ocorreu por falta de acordo entre as fábricas e as autoridades locais.
A Coca-Cola classificou a destruição dos bonecos como atos de vandalismo e garantiu ter cumprido todos os procedimentos indicados pelo GDF, a quem classificou de "parceiro" na instalação do boneco. A empresa adiantou que está avaliando o novo local e o momento em que voltará a instalar, na cidade, o boneco, "um símbolo de alegria e do espírito festivo do maior evento esportivo mundial".