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Mascote da Copa de Brasília estava instalado sem autorização

Capital federal é tombada e legislação impõe condições para divulgação de publicidade

Macote da Copa de Brasília estava instalado sem autorização
Macote da Copa de Brasília estava instalado sem autorização Foto : Marcello Casal Jr. / ABr / CP
Antes mesmo de ser destruído na madrugada da última terça-feira, o boneco que ficou conhecido como mascote da Copa do Mundo de 2014 já corria o risco de ser removido da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Como a capital federal é tombada e considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, tanto a legislação nacional quanto a do Distrito Federal proíbem ou impõem condicionantes para a divulgação de publicidade no local.

De acordo com a assessoria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – entidade responsável por zelar e proteger os monumentos históricos e artísticos brasileiros, entre eles, o acervo arquitetônico e urbanístico –, o tatu-bola foi instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização prévia do órgão, desrespeitando a legislação federal. Ainda de acordo com o Iphan, os técnicos já estudavam as medidas cabíveis.

Diferentemente do mascote apresentado pelo Comitê Gestor da Copa, que usava uniforme branco com os dizeres “Brasil 2014”, o boneco inflável instalado na Esplanada dos Ministérios usava uma blusa vermelha com a logomarca da Coca Cola, patrocinador oficial do evento esportivo. O tatu-bola permaneceu no local por 15 dias. O objeto deveria ficar na Esplanada até o próximo dia 14, quando seria transferido para uma via de acesso ao aeroporto, onde ficaria exposto por 21 dias.

A Brasal (fabricante da Coca-Cola no Distrito Federal e responsável pela execução da ação de marketing promocional) alega que recebeu autorização do governo do Distrito Federal para instalar o boneco. Apesar disso, o Iphan podia determinar que o boneco fosse retirado ou multar a empresa. O governo do Distrito Federal informou que a Administração Regional de Brasília autorizou a exposição do boneco por considerar a relevância da matéria para o Brasil e para a capital federal.

Na semana passada, um boneco semelhante já havia sido alvo de protestos. Em Porto Alegre, centenas de manifestantes destruíram uma réplica do mascote durante um protesto contra a “privatização de locais públicos”. Acionados para proteger o boneco, soldados do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar (BM) entraram em confronto com os manifestantes, utilizando cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha. Várias pessoas, inclusive policiais, ficaram feridas no conflito.

Além de Brasília e Porto Alegre, cópias dos bonecos foram instaladas em mais oito cidades-sede dos jogos da Copa. Em Curitiba (PR), ele pode ser visto na Rua XV de Novembro, no Centro. Já em Salvador (BA), o boneco inflável está exposto diante de um dos principais cartões-postais da cidade, o Farol da Barra. Entre as 12 cidades que sediarão partidas do megaevento, apenas Manaus (AM) e Natal (RN) deixaram de receber os bonecos. Segundo a assessoria da Coca-Cola, isso ocorreu por falta de acordo entre as fábricas e as autoridades locais.

A Coca-Cola classificou a destruição dos bonecos como atos de vandalismo e garantiu ter cumprido todos os procedimentos indicados pelo GDF, a quem classificou de "parceiro" na instalação do boneco. A empresa adiantou que está avaliando o novo local e o momento em que voltará a instalar, na cidade, o boneco, "um símbolo de alegria e do espírito festivo do maior evento esportivo mundial".

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