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Memorial na Amrigs homenageia profissionais de saúde que morreram na pandemia

Evento inaugurou o painel com três monumentos no átrio do teatro da associação

Inauguração ocorreu na noite desta quinta-feira
Inauguração ocorreu na noite desta quinta-feira Foto : Fabiano do Amaral

A Associação Médica do Rio Grande do Sul inaugurou, na noite desta quinta-feira, 16, o "Memorial da gratidão Amrigs", em homenagem aos médicos e profissionais da saúde que morreram no combate à pandemia. O memorial - instalado no átrio do teatro da Amrigs - mostra três obras de concepção do cirurgião plástico Paulo Favalli, que representam a Morte, a Ciência e a Cura.

O evento – que faz parte das ações dos 70 anos da Amrigs – teve a apresentação de um recital do Quarteto de Cordas do Theatro São Pedro, e contou com a presença de familiares dos médicos e profissionais da saúde homenageados, autoridades municipais e estaduais, representantes de entidades e instituições de saúde e convidados.

“É uma noite de sentimento de perda e homenagens aos cerca de 60 gaúchos que nos deixaram. O memorial lembrará para sempre a luta que ainda persiste, daqueles que entregaram suas vidas ao combate e à cura de uma doença, que matou quase quatro milhões de seres humanos em menos de dois anos”, afirmou o presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Jr em seu pronunciamento.

Emocionado, o médico Adyr Eduardo Virmond Faria, que perdeu o pai para a Covid-19 – o também médico Adyr Cancello Faria – destacou que o memorial é uma justa homenagem aos profissionais da saúde que perderam a vida pela doença. “Esta homenagem foi uma ideia brilhante. A vida do médico é a cura. Estamos acostumados a salvar vidas, mas nunca estamos preparados para estar do outro lado do balcão. Infelizmente o meu pai, que tantas vidas salvou não resistiu a doença”, ressaltou Adyr.

“Esse é um momento muito importante. Um momento de reflexão, reconhecimento e reverência aos médicos que se foram lutando contra a Covid, essa doença que desgraçou a humanidade. Felizmente os níveis estão melhorando. Estamos cada vez com menos doenças em nossos hospitais, graças à ciência e a medicina e graças a vacinação efetiva. Esse memorial fica para eternizar o momento tão difícil que estamos vivendo”, afirmou o secretário municipal da Saúde, Mauro Sparta.

Memorial da Gratidão Amrigs

O primeiro painel representa “A Morte”. Como soldados convocados para a guerra, os médicos e demais profissionais da saúde não se furtaram de capitanear o combate à maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Muitos heróis sucumbiram . Por isso, a obra representa um médico falecido, ainda vestindo máscara e de posse do Bastão de Asclépio (símbolo da medicina).

A segunda parte representa “A Ciência”. A busca por uma solução para conter a trágica pandemia que levou cientistas do mundo inteiro a desenvolverem vacinas a partir de diferentes tecnologias. O painel homenageia a ciência e inverte a lógica. Ao invés do organismo microscópico entrar no hospedeiro humano, é possível presenciar um homem invadindo o vírus. A posição mostra o homem debruçado munido de lupas, incansável enquanto manipula o material genético com a certeza de que apenas o profundo estudo através do método científico nos levará à salvação.

Por fim, a terceira parte é dedicada “A Cura”. O painel ilustra o paciente pronado, ou de bruços (um dos símbolos do manejo dos pacientes graves de Covid-19). Ele recebe oxigênio por tubos. A figura ao lado mostra o paciente voltando a respirar e uma terceira figura representa o médico estendendo seus braços devolvendo o paciente à vida.