“Se discute trazer médicos de fora que tenham registro em seu país de origem, que trabalhariam por, no máximo, três anos, em regime provisório. Teria tutoria de universidades e trabalhariam exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), em áreas de carência de médico”, disse ao participar de audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. “Não é uma importação de médicos, porque para trazer médicos para trabalhar em outras áreas tem que fazer o Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos)”, completou.
O ministro destacou que não haverá flexibilização do Revalida para facilitar a entrada de médicos formados em outros países. O exame é necessário para o profissional exercer a profissão no Brasil. “Se for temporário, para áreas remotas, acho que é um programa que podemos discutir. Não haverá liberação, não vamos aceitar médico sem registro, sem formação, nem vamos flexibilizar o Revalida”, ressaltou.
Mercadante disse aos senadores que faltam médicos no Brasil e destacou que a situação é mais grave em especialidades como pediatria, anestesia e ginecologia. Para estas áreas, ele apontou que será preciso discutir um estímulo específico. O ministro reforçou a falta de médicos no interior do País. “Como tem poucos médicos e o mercado fica aquecido, todos querem ficar nas capitais e o interior fica sem a assistência necessária. A política de expansão de novas matrículas (do Ministério da Educação) leva isso em conta”.
No último dia 7, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que desde o início do ano o governo estuda alternativas para suprir a deficiência de profissionais nas regiões mais remotas do país e analisa a possibilidade de trazer médicos de países como Portugal, Espanha e Cuba. O Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou a proposta e a classificou como temerária.