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Mercado Público nunca teve plano contra incêndio

Prédio histórico foi vistoriado pelos bombeiros em abril

Mercado Público nunca teve plano contra incêndio
Mercado Público nunca teve plano contra incêndio Foto : Vinícius Roratto
O Mercado Público nunca teve Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI), segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Porto Alegre, tenente-coronel Adriano Krukoski Ferreira. “Em 2007, advertíamos a falta. Não localizamos o plano até agora. Como é um processo documental, vamos verificar só amanhã às 8h”, disse. Apesar de não haver o documento, o comandante afirmou que os bombeiros verificaram a existência de todo o sistema contra incêndios.

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O prefeito José Fortunati afirmou que os equipamentos de combate a incêndio, como extintores e hidrantes internos, estavam todos adequados. A Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) informou que há cerca de 15 dias todos os 57 extintores do estabelecimento foram revisados, assim como todas as mangueiras foram substituídas. Com relação ao PCCI do prédio, a secretaria explicou que o plano está em análise na Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), porque foram necessários atualizações.

Mercado Público foi vistoriado em abril

Segundo o comandante-geral da Brigada militar, coronel Fábio Duarte Fernandes, uma vistoria havia sido feita em abril no Mercado Público de Porto Alegre pelo Corpo de Bombeiros, por ocasião da Feira do Peixe. "Constatamos que os extintores, os hidrantes e as localizações de saídas de emergência estavam adequadas à legislação e correspondiam à executabilidade destas questões", informou, após reunião com o prefeito José Fortunati e permissionários na prefeitura.

Fernandes salientou ainda que a legislação atual não prevê interdições pelos bombeiros. "Essa legislação, inclusive, está sendo revista e a Assembleia Legislativa tem uma comissão que apresentou uma alternativa. Acho que isso sim dará condições ao Corpo de Bombeiros de interdição de algum local que por ventura tenha risco e não esteja com o Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) em dia", observou.

O Mercado Público

Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos de 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.

O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o Mercado e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que é um dos principais cartões postais de Porto Alegre. O local chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida.

Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do Mercado. A nova cobertura possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.

No segundo andar, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço. Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo 88% do orçamento da Prefeitura e 12% do Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.

Com informações dos repórteres Cláudio Isaías e Danton Júnior

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