Como um visitante de primeira viagem, seja natural de Porto Alegre ou turista, quem embarca no ônibus da Linha Turismo, acaba repleto de informações, histórias, curiosidades e conhecimento sobre a capital mais meridional do Brasil, com 1,3 milhões de habitantes, 240 anos, e uma das três capitais mais arborizada do Brasil, junto com João Pessoa e Curitiba. Aqui, se tem uma árvore por habitante.
No passeio de uma hora pela região central, não há duas quadras sem marcos e apontamentos. Ao lado dos campus de engenharia, e museu da Universidade Federal do RIo Grande do Sul (UFRGS), o Parque da Redenção, criado em 1807. Ali, vai contando o guia, em tempos de outrora era um grande potreiro de descanso do gado - cercado pelos açougues. À volta, o Bomfim, bairro fundado por judeus e com memórias boêmias, e ladeado pela Osvaldo Aranha, avenida marcada por 99 palmeiras trazidas do Sul da Califórnia, intercaladas por Jacarandás. Na passagem, a escola onde Elis Regina estudou, e mais Parque da Redenção. O guia lembra que tal nome se refere à libertação de escravos anunciada em 1884 no local, quatro anos antes que o feito no Brasil, assim como fez a cidade de Redenção, no Ceará. O nome Parque Farroupilha veio apenas em 1935, pelo centenário da Revolução.
Há de se ver a arborizada a Ramiro Barcelos, o Planetário, criado na década de 70 e com atividades abertas para o público nos finais de semana e para escolas de segunda a sexta; o Museu da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que mostra seus experimentos e ciências das 9h às 17h; e o Arroio Dilúvio, que corta a avenida Ipiranga. Ao ouvir que o rio-arroio de 17.600 metros era muito mais largo e navegável, se tem ideia do quanto agoniza atualmente, com fios de água e muita terra e lixo, vistas de cima do ônibus.
O caminho segue pelo bairro Santa Cecília, onde ficavam as chácaras de trigo, acompanhadas de seus moinhos de vento e de água trazidos da cultura açoriana; pela famosa - no sentido chic - avenida Goethe, o Parcão, que guarda 180 espécies de árvores e pela 24 de Outubro, antiga trilha de tropeiros, e cujo nome lembra a chegada ao poder de Getúlio Vargas. Na Praça Júlio de Castilhos, uma fonte que antigamente servia como única fonte de água da região da cidade. Depois da Santa Casa, a praça do Portão, quase em frente à Confeitaria Rocco. Ali ficava o portão do Centro da cidade, que fechava às 22h. Quem morava fora do centro tinha horário pra sair.
O passeio chega pela Riachuelo, conhecida pelos sebos que guarda, circunda a Praça da Matriz e o Palácio Piratini, com uma das maiores cúpula do mundo e regida pela padroeira Mãe de Deus, e visualiza o Theatro São Pedro, com uma das maiores acústicas do país. No Palácio da Justiça, outra curiosidade: a imagem da Justiça está sem venda e balança. O artista a concebeu sem peso e medida, e de olhos bem abertos. Pela Mauá, o muro, curiosamente com três metros acima e três metros abaixo do solo, construindo para segurar águas de uma possível enchente, depois do aconteceu em 1941. O passeio aponta ainda a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), onde Mario Quintana viveu no quarto 217, o Museu Iberê Camargo com suas paredes de cimento branco, e chega no samba da quadra da escola Os Imperadores do Samba, passa pelo estádio do Internacional, circula no Menino Deus, identificado pela gastronomia italiana, alemã, chinesa e outras delícias, e indica o Museu Histórico Joaquim José Felizardo, no Solar Lopo Gonçalves e termina com o monumento Lança de Aço, no Largo Zumbi dos Palmares.
A linha turismo funciona de terça a domingo. O tour Centro Histórico é das 9h às 15h30min e da Zona Sul das 10h30min às 13h30min. Desde 24 de abril e até 14 de maio ele não vai ao Sul enquanto aguarda as podas de árvores atingidas por ventanias recentes. Criada desde 2003, já transportou mais de 450 mil pessoas. O ingresso custa R$ 15,00 por pessoa, ele não para em nenhum local e em caso de chuva é cancelado, com remarcação ou devolução de ingressos. Detalhes pelo 51 - 3289-0176.