Os metalúrgicos do Complexo Automotivo da General Motors, em Gravataí, estão mobilizados em frente à sede da montadora na defesa da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Os trabalhadores pretendem ficar no local até a data-base da campanha salarial da categoria que acontece em abril.
Na manhã de hoje, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos em Gravataí, Valcir Ascari, esteve reunido com o presidente da General Motors do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, que veio ao Rio Grande do Sul para uma visita de rotina à unidade gaúcha. Ardila vem ao Estado trimestralmente para verificar a produção e tratar de assuntos conjunturais.
Também nesta quinta-feira, ocorreu a primeira rodada de negociações entre sindicalistas e representantes do Departamento de Recursos Humanos para tratar do dissídio da categoria. Na oportunidade, Ascari ressaltou que os metalúrgicos permanecerão mobilizados por tempo indeterminado, sem prejuízo à produção da montadora. “Não se trata de um protesto massivo, mas representativo”, esclareceu. Segundo ele, a mobilização envolve uma vigília, com adesão dos funcionários no período em que não estiverem exercendo as atividades profissionais. “A maior parte da categoria, apesar de apoiar o movimento, não participa do acampamento”, esclareceu.
O tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos em Gravataí, Gualberto Cetrulo, ressaltou que a categoria reivindica, além da redução da jornada de trabalho, aumento real de 5%, abono superior a R$ 1.350 e incremento de bonificação paga anualmente por intermédio do Programa de Participação nos Resultados (PPR). “Em 2009, todos os metalúrgicos vinculados à montada receberam R$ 4,8 mil em parcela única”, explicou. A meta é elevar o valor em razão do aumento da produção no complexo automotivo.
Na tentativa de pressionar a aprovação da PEC 231/95, que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e prevê o aumento do adicional da hora extra de 50% para 75% do valor da hora trabalhada, ameaçam boicotar as siglas partidárias dos parlamentares que votarem contra a matéria. “Vamos sepultar bonecos dos deputados que se manifestarem contra as mudanças”, frisou Cetrulo.
Eles também publicarão outdoors com os nomes dos parlamentares. A ideia é sepultar simbolicamente as candidaturas dos deputados. O sindicalista defende que a aprovação da PEC impulsionará a geração de novos empregos no país.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, é favorável à redução da jornada de trabalho. Ele disse que pretende conversar com o presidente da Câmara, Michel Temer, para reforçar a importância da aprovação da emenda constitucional. “Se diminuirmos o número de horas trabalhadas será necessário contratar mais trabalhadores, mas o mais importante é que vai melhorar a qualidade de vida do trabalhador e ele vai produzir mais”, afirmou. Lupi negou que a aprovação represente uma medida eleitoreira. ”Estamos discutindo a redução da carga horária desde o início de 2009. Já era para ter sido aprovada”, assinalou o ministro.
Metalúrgicos da GM fazem mobilização para redução de jornada de trabalho
Categoria também pede aumento de 5%