Os metalúrgicos de Canoas estiveram mobilizados na manhã desta quinta-feira por melhores salários. A categoria reivindica 5,49% para reposição das perdas, com base no acumulado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de ganho real de 4,51% para os trabalhadores com rendimentos superiores ao piso da categoria. Já os que ganham o piso, exigem 14%. O Sindicato da Indústria Metalúrgica de Canoas acena com ganho real de 1% e aceita elevar o piso em 8%.
A categoria, com data-base em 1º de maio, aguarda pelo encerramento das negociações envolvendo o dissídio coletivo ainda neste mês. “Nova rodada de negociação acontecerá às 10h da próxima segunda-feira”, ressaltou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, Flavio José Fontana de Souza. Uma assembleia geral foi agendada para às 18h30min do dia 17, quando os metalúrgicos avaliarão a possibilidade de paralisação das atividades por 24 horas e mobilizações simultâneas em mais de cinco empresas.
Eles estiveram mobilizados das 6h30min às 8h na frente de duas indústrias, mas não interferiram no horário de troca de turnos. O ato contou com apoio de colegas de Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapiranga. “A campanha salarial dos metalúrgicos de Canoas, bem como os resultados obtidos, costumam balizar as campanhas e mesas de negociação de outras bases metalúrgicas no Estado e, inclusive, de outros ramos profissionais”, assinalou Souza.
A categoria também está mobilizada em todo o Rio Grande do Sul em defesa da redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas. Igualmente estão empenhados em sinalizar o descontentamento com o possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à extinção do fator previdenciário e à concessão de reajuste de 7,72% aos aposentados e pensionistas com vencimentos acima de um salário mínimo. Os metalúrgicos ainda reivindicam que o presidente da Câmara, Michel Temer, inclua na pauta de votação a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 231/95) que prevê a redução, sem a alteração de salários, e o aumento da hora extra para 75%.
O dirigente sindical lembrou que uma metalúrgica de Santa Rosa já reduziu a jornada de trabalho, mesmo sem a obrigatoriedade expressa em lei. Outras duas indústrias de Canoas já operam com jornadas semanais de 42 horas. “Temos 14 mil metalúrgicos empregados em Canoas e, com a redução, existem a possibilidade de abertura de 5 mil novos postos de trabalho na cidade”, enfatizou Souza.
Ele, porém, projeta que dificilmente haverá preenchimento total das vagas a serem criadas, tendo em vista a inexistência de mão de obra qualificada disponível no mercado. “Existem empresas em condições de expansão da capacidade produtiva que não encontram profissionais para contratar”, ressaltou. Segundo ele, muitos trabalhadores decidiram fixar residência em Rio Grande, por conta do Polo Naval. Na avaliação de Souza, as empresas que trabalham na construção de plataformas petrolíferas e cascos de navios têm salários mais atrativos.
Metalúrgicos paralisaram atividades por uma hora
Protesto ocorreu em duas indústrias de Canoas<br />