Desde 1994 atuando nas missões de paz das Nações Unidas, a BM está dentro da United Nations Policing (Unpol), instituição dentro do Departamento de Missões de Paz da organização internacional. Neste primeiro encontro, o coronel do setor de informações do Distrito Federal, Nelson Garcia, comentou sobre suas várias missões no exterior. Gaúcho de Porto Alegre, Garcia pediu à platéia que o interrompesse quando surgisse alguma dúvida. “Este encontro é para uma troca de informações e experiências”, afirmou o oficial de Brasília. “Espero ter muito a passar para vocês.”
O oficial deu um breve relato sobre o organograma da ONU, e onde está posicionada a Unpol dentro da instituição, além de falar sobre as missões que participou, como na ex-Iugoslávia, pro exemplo. “A primeira missão de polícia na força de paz contava com poucos integrantes”, lembrou. “Atualmente, o efetivo é maior.”
Brigada Militar ajudava polícias do Haiti e Guiné-Bissau
Por parte da Brigada Militar, o capitão Tales Osório, participou em duas missões desse tipo. Uma em 2005/06, no Haiti e a outra, em 2010, na Guiné-Bissau. Em ambas, ele serviu na força que auxiliava as polícias locais. No Haiti, “as patrulhas policiais eram acompanhadas por um oficial da ONU”, recorda Osório. “Quando eles iam atender a uma ocorrência, nós orientávamos quanto a um procedimento correto, muitas vezes até intervindo.”
Este trabalho, explicou o oficial, tinha como objetivo fortalecer a polícia haitiana para que a instituição assumisse a função que, até então, era exercida pelo Exército da ONU. Para acompanhar os policiais locais foi necessário dominar o francês. “Eles (haitianos) têm um dialeto, mas falávamos em francês”, contou. “As duas línguas dentro da missão eram o inglês e o francês.”
Diversas etnias na Guiné-Bissau
Na Guiné-Bissau, apesar de o país ter sido colônia portuguesa e de o idioma oficial ser o português, existem 32 etnias, cada uma com o seu dialeto. No entanto, salientou Osório, existe um denominado crioulo bissau-guinense (não confundir com dialeto com nome semelhante, falado no haitiano), que era uma espécie de unidade para os moradores do país africano. Com cerca de 1,6 milhão de habitantes e tendo travado uma guerra civil em 1998, o país ainda estava em um estado muito ruim quando da chegada de Osório. “Tínhamos apenas dois pequenos mercados onde comprar alguma comida”, relembrou o oficial. “É um país muito pobre.”
No entanto, a população, especialmente a da capital, Bissau, sempre mostrou uma simpatia muito grande pelos brasileiros. O que não ocorreu com muitos haitianos. “Quando eles ficavam sabendo que éramos do Brasil, o relacionamento ficava muito mais fácil”, afirmou.
Na Guiné-Bissau, os integrantes da ONU, conseguiram levar um curso de formação para os policiais do país, construir um posto policial modelo e um Centro de Formação Policial, todo informatizado. Além disso, os integrantes da força de paz fizeram uma campanha de apoio para que os policiais locais tivessem um fundo de pensão. “Eles não têm como se aposentar, pois o Estado não paga uma pensão, porque não tem dinheiro”, contou o capitão. “Pessoas de 70 anos ainda estão trabalhando, pois como não ganham uma aposentadoria, não teriam como se manter senão trabalhassem.”