A promotora de justiça de Direitos Humanos Ângela Salton Rotunno fará contato com a prefeitura de Porto Alegre na terça-feira para tratar do problema da falta de leitos do SUS no Hospital Conceição. Na segunda-feira, a diretoria do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) foi pedir apoio ao Ministério Público Estadual (MPE) para tentar desafogar a demanda na instituição. Segundo a diretora-superintendente do Grupo, Jussara Cony, a emergência do hospital dispõe de 50 leitos, mas está atendendo 136 pacientes.
"Viemos pedir o apoio do MP e dizer que o Hospital Conceição não vai fechar as suas portas, mas precisa que o gestor municipal regularize o sistema. Não podemos perder a qualidade dos serviços e nem penalizar os trabalhadores que estão na linha de frente atendendo os cidadãos", afirmou Cony. Segundo ela, apesar de dispor de 50 vagas, a média é de 136 atendimentos na unidade.
A promotora de justiça considera "dramática" a situação no hospital. "Vamos pedir o deslocamento dos pacientes que excedem as vagas no HC. Se houver necessidade, entendemos que é possível aplicar verba de outra área, já que saúde, educação e segurança são prioridades de um estado", ressaltou Ângela Rotunno.
Ela explicou ainda que já foi impetrada uma ação civil pública, na qual o MP pede que o município providencie a compra de leitos para atender a demanda da população. O processo, segundo Ângela, está em fase de instrução.
O secretário municipal de Saúde Eliseu Santos ponderou que o assunto merece uma discussão racional, mas que se trata de problema nacional. Segundo ele, a prefeitura de Porto Alegre vem aplicando mensalmente 19% da sua receita na área da saúde, acima dos 15% determinados pela Constituição. O secretário cobrou a contrapartida do Estado e do governo federal.
Ministério Público discutirá falta de leitos do SUS com prefeitura da Capital
Promotora de justiça considera "dramática" a situação no Hospital Conceição