No local, os profissionais se esforçam para que a vida passe com mais naturalidade possível. Dez moradores, ex-pacientes do São Pedro, são inseridos na rotina normal de uma casa e de uma comunidade. “Aqui, nada lembra o hospital. As coisas vão acontecendo de acordo com as necessidade de cada um, dentro de um ambiente residencial”, destaca a coordenadora da Casa da Praça, nutricionista Maria Regina Almeida da Silva.
Aos poucos, os moradores vão extrapolando as barreiras. Na companhia de uma equipe multidisciplinar, eles ajudam a escolher o cardápio das refeições, passeiam pelas ruas, fazem compras, brincam com o cão de estimação, participam de oficinas, resgatam sua autonomia e, de certo modo, sua liberdade.
A coordenadora da Política de Desins-titucionalização dos pacientes do São Pedro, Fátima Fischer, diz que a rotina das residências fez com que os moradores enaltecessam suas subjetividades. “Os profissionais tinham dificuldade de olhar para as individualidades, mas em um grupo menor é possível praticar um plano terapêutico singular.”
A Secretaria Estadual da Saúde é responsável pela manutenção da casa e pelo pagamento dos profissionais (técnicos de enfermagem, assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, nutricionista, cozinheiro e auxiliar de serviços domésticos) que ficam 24 horas à disposição dos moradores. Os residentes utilizam seus benefícios da Previdência Social para suprir necessidades e vontades. Ainda residem no São Pedro 183 usuários, enquanto 78 migraram para os outros serviços e começam a enxergar o mundo de um outro ponto de vista.