Soares foi morto em 1966. Ele entregava panfletos contra a visita do presidente Castelo Branco a Porto Alegre e foi preso, torturado e encaminhado para a ilha-presídio existente no Guaíba. Em 13 de agosto de 1966, cerca de um mês depois de escrever a última carta à esposa, foi levado para novo interrogatório. Colocado em um jipe, foi conduzido ao rio Jacuí, para a tortura do afogamento. No dia 24 de agosto, seu cadáver foi encontrado com as mãos e os pés atados às costas, o que deu o nome ao caso.
De acordo com a assessoria da prefeitura, o memorial integra o projeto "Direito à Memória e à Verdade – A Ditadura Militar no Brasil (1964-1985)", organizado pelo governo federal. Desde 2006, foram instalados 26 memoriais criados pela artista plástica paranaense radicada em Porto Alegre, Cristina Pozzobon. "É um ato simbólico para aqueles que defendem o estado democrático de direito, para que as pessoas lembrem como a ditadura é perigosa. Cidadãos pagaram com a vida por problemas que não foram resolvidos por meio da democracia", declarou o prefeito José Fortunati, na inauguração, acrescentando que ainda é preciso esclarecer mortes e desaparecimentos para o povo brasileiro.
Manoel Raymundo Soares nasceu em Belém (PA), em 15 de março de 1936. Ingressou no Exército em 1955 e foi um dos fundadores do “Movimento dos Sargentos”, que lutava por direitos sindicais e democráticos. Após o golpe militar de 1964, foi preso e expulso da corporação. Migrou para o Rio Grande do Sul, onde participou de protestos contra a ditadura. No Estado, atuou no Movimento Revolucionário 26 de Março.