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Morador de rua que salvou jovem de estupro volta às ruas

Everton Pereira fugiu levando eletrônicos e deixou para trás cinco cachorros

Veterinário da clínica viu ele novamente nas ruas do bairro Santa Tereza
Veterinário da clínica viu ele novamente nas ruas do bairro Santa Tereza Foto : Ricardo Giusti
O morador de rua Everton Pereira, que salvou uma jovem de 16 anos vítima de estupro na Capital, abandonou o trabalho e o emprego para voltar às ruas. Na manhã desta quarta-feira, ele não apareceu para trabalhar na clínica veterinária onde estava há duas semanas atuando como auxiliar, cuidando da alimentação dos animais e da limpeza do local. Silvia Mara, proprietária da clínica Valle di Assisi, disse que notou que algo havia acontecido, pois ele era muito pontual.

Depois de 30 minutos do horário de início do expediente, Silvia ligou para Adão da Silveira, locatário do imóvel onde Pereira estava morando, e soube que ele sumiu durante a madrugada levando alguns eletrônicos e a bicicleta emprestada. “A porta estava apenas encostada, entrei e já dei falta das coisas. Essa foi a única noite dele aqui”, contou Silveira.

Um veterinário da clínica viu ele novamente nas ruas do bairro Santa Tereza com aspecto de quem havia voltado às drogas. “Já tentei ajudar diversas pessoas usuárias de crack e posso dizer que nunca o venci, mas essa foi a vez que mais doeu porque tinha muita esperança”, lamenta Silvia. De acordo com ela, Everton não chegou a ter uma vida completamente normal, porque o caso trouxe muita exposição. Por isso, sempre o alertava para que não se iludisse com o que estava vivenciando. Segundo Silvia, na terça-feira, ele já havia se comportado de maneira diferente. “Quem usa drogas acaba tendo duas personalidades e ele mostrou um lado prepotente por um instante, meio transtornado, e no final de semana ele já havia tido uma crise de abstinência, mas consegui acalmá-lo”, recorda.

Para a proprietária, nada apaga o que ele fez com a jovem. “Ele foi um herói e é uma pessoa muito boa, mas a droga faz com que as pessoas percam o controle de si”, destaca. Durante o final de semana, Everton havia ido visitar os filhos e familiares que não o viam há sete anos. Ficou feliz por ser bem recebido e tirou fotografias como lembrança do momento. Essa foi a primeira vez que ele tentou largar o vício. Porém, Silvia acredita que Everton não voltará mais, nem para buscar seus cinco cachorros que ficaram na clínica. “Ele é muito orgulhoso, por isso acho que ele não terá cara de voltar.”