O sábado ensolarado propiciou a retomada parcial da rotina dos moradores dos bairros Humaitá, Navegantes, Farrapos e Anchieta, em Porto Alegre. Muitos aproveitaram para secar as roupas nos varais, janelas, sacadas e até muros, além de realizarem as providenciais limpeza da lama deixada pelos alagamentos decorrentes das últimas chuvas.
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No trecho final da rua Voluntários da Pátria, já próximo do viaduto da BR 116 com a BR 448, uma equipe enviada pela prefeitura, com uma caminhão e uma retroescavadeira, retirava pela manhã os entulhos decorrentes tanto da cheia, como sofás e roupas encharcados de água, mas também o lixo depositado irregularmente pela própria comunidade.
A faxineira Eva dos Santos, 52 anos, criticou o comportamento da vizinhança no bairro Humaitá. “Se o pessoal ajudasse a não largasse o lixo em qualquer lugar teria menos alagamento. As bocas de lobo ficam entupidas”, avaliou, destacando também a necessidade da prefeitura fazer sua parte para resolver o problema. Ela disse que ficou ilhada por quatro dias no segundo andar da casa que aluga na área.
“Não fui ao serviço pois não deu para passar. Só saindo de canoa”, recordou. Com o dia ensolarado, ela aproveitou e colocou as roupas para secar ao ar livre e saiu pela primeira vez para a rua pois pretendia fazer uma série de faxinas no sábado e domingo com o objetivo de recuperar o dinheiro após ter ficado parada por quatro dias. “Tenho que recuperar esses dias”, afirmou.
Já Patrícia Oliveira, 27 anos, que faz parte de uma família dona de um mercado no bairro Navegantes, relatou que as chuvas e alagamentos provocaram até queda nas vendas pois sumiram os clientes. “Foi bem complicado. Muitos não puderam trabalhar”, ressaltou. “Teve gente que perdeu muita coisa na chuva”, complementou.
Muitas ruas já estavam secas, mas outras permaneciam ainda submersas, sobretudo no bairro Anchieta, na manhã de sábado. Na rua Ângelo Dourado, ainda alagada, uma dona de casa, de 79 anos, que identificou-se apenas como Iracema, contou que moradores e empresas da região estão se mobilizando para arrecadar dinheiro e consertar as bombas do DEP já que a prefeitura não está fazendo a parte dela.
Conforme a moradora, a água invadiu o pátio e a casa, trazendo junto muita umidade e mofo. “O pessoal, para trabalhar, passava dentro da água sem os sapatos para não molhar”, recordou, apontado os riscos de contrair uma doença. Ela também criticou quem joga lixo na rua e entope bueiros. “São relaxados”, sentenciou.
Moradores afetados pela chuva retomam rotina em Porto Alegre
Mesmo com a volta do sol, muitas ruas permanecem alagadas