O grupo que está organizando o protesto é formado por vítimas do sinistro que permaneceram na vila. Ninguém quis se identificar. Na manhã desta terça, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) começou a limpeza dos destroços dos imóveis incendiados e muitas pessoas tentaram resgatar alguns pertences. A serralheira Lizete Ribeiro, 39 anos, escolheu ficar com a família no lugar onde morava antes do incêndio. Ela reclamou do preço do aluguel social oferecido pela prefeitura. “Vão pagar R$ 400 por apenas seis meses. Ninguém vai ressarcir o que perdemos”, disse.
O coordenador de Política da Infância da Secretaria da Governança Local, Carlos Simões, esteve no local para verificar as condições, especialmente das famílias que têm crianças, já que muitos moradores não quiseram ir para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Giúdice. Ele disse que 328 pessoas já se cadastraram para receber o aluguel social, porém muitas delas não haviam sido vítimas do incêndio. “O aluguel será pago até que se construa um loteamento”, declarou.
Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Vila Liberdade, Erlon Nogueira, os moradores reivindicam melhores moradias há 30 anos. “Temos 600 famílias na vila, sendo que 175 perderam praticamente tudo no
incêndio. Devido a essa desgraça, o governo resolveu agilizar uma solução”, explicou. Já a presidente da Associação de Moradores da Vila Farrapos, Ivone Beatriz Gomes, teme que as pessoas sejam levadas para lugares distantes. “Agora que a região está melhorando por conta da Arena do Grêmio, não é justo deslocarem essas pessoas daqui”, resumiu.
O Conselho Tutelar também esteve na vila para tentar convencer os moradores a irem para um abrigo. “Estamos conversando com eles, mas não querem sair para não perder os pertences”, afirmou a gerente de Apoio
Operacional do Conselho, Simoni Bampi. A Polícia Civil tenta localizar uma mulher que reside na vila e é suspeita de ter provocado o incêndio. Segundo a polícia, ela teria ateado fogo no sofá de casa durante uma discussão com o marido. Qualquer informação sobre a mulher pode ser passada pelo telefone (51) 8422-3242 .