Mais de 150 moradores da Vila Liberdade, no bairro Humaitá, realizaram um protesto, na noite de segunda-feira, devido aos problemas que estariam enfrentando por conta dos retrocessos em relação às moradias negociadas com a prefeitura de Porto Alegre. Por mais de duas horas, os manifestantes bloquearam os dois sentidos da avenida A J Renner e a rua Graciano Camozatto. Alguns objetos foram incendiados na via. Os moradores ainda bateram panelas e reclamaram da falta de diálogo com a prefeitura. A manifestação acabou por volta das 22h30min. O Corpo de Bombeiros foi acionado para que a via fosse liberada.
De acordo com Erlon Nogueira Lima, da Associação dos Moradores da Vila Liberdade (Amavil), a comunidade obteve diversos avanços em relação às moradias após o dia 27 de janeiro de 2013, quando un incêndio atingiu as casas que ficavam em terreno irregular. Entretanto, desde a troca da gestão da prefeitura de Porto Alegre, os moradores relatam estarem sofrendo com retrocessos. Segundo Nogueira, na virada do ano haviam cerca de 100 casas que ainda estavam na área irregular. “Saíram 89 casas ecológicas para as famílias. O resto recebia aluguel social”, contou o representante da Amavil.
Porém, ele alegou que muitas famílias ainda não receberam o aluguel social neste ano. Além disso, quem está utilizando as casas ecológicas, que teriam sido construídas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), reclamam que as residências estariam degradadas, praticamente sem condições de moradia. “O prazo de validade das casas venceu. Tem parede caindo, telhado faltando e em algumas não há condições sanitárias”, disse Nogueira. Como consequência, muitas famílias estariam retornando para a área que deveria ser devolvida. “Estamos com mais dificuldades dos que na época do incêndio”, relatou.
Um dos argumentos da prefeitura seria que as famílias estariam alugando casas de condomínios construídos pelo Demhab ou alugando residências fora de Porto Alegre, e ambas situações são proibidas. “As casas do Demhab ou de fora de Porto Alegre são mais baratas”, justificou Nogueira. De qualquer maneira, com o atraso do repasse do alguel social, diversas famílias estão sendo despejadas.
Moradores da vila Liberdade protestam contra a prefeitura
Bloqueando ruas, manifestantes reclamaram de retrocessos na negociação com a prefeitura por moradias