O local da manifestação é objeto de controvérsia pela necessidade de remoção de famílias para realização de obras para a Copa do Mundo. Mauro Pereira, 56 anos, comemorou a chance de ter a voz ouvida. “Aqui temos uma vida. Não estamos dizendo que não vamos sair. A questão é que somente aceitaremos sair se for para uma moradia digna”, falou ele, que vive na Tronco com a esposa e três filhos há 25 anos.
Diferente do clima de medo disseminado em passeatas pela área central, na periferia o séquito era motivo de inspiração. Vanderlei Rodrigues, o Amiguinho, 65 anos, colocou mais espetinhos na churrasqueira, da qual tira o sustento faz 18 anos. A exemplo do churrasqueiro, outras pessoas não fecharam seus comércios e famílias perfilaram-se diante dos portões para ver a marcha mais de perto.
Muitos aplaudiram a passagem dos manifestantes. Gente da comunidade tomou o microfone do caminhão de som e também falou de sua indignação com a corrupção no país.
Bloco de Lutas distribui panfletos explicativos
Durante a marcha, panfletos foram distribuídos, esclarecendo sobre quais os motivos do ato público. Integrante do Bloco de Luta pelo Transporte Público, Luciano Fetzner informava que além do barateamento da passagem de ônibus, questões como a defesa contra a criminalização dos movimentos sociais e contra as repercussões consideradas negativas da Copa seguem em pauta.
Ele disse que os grupos componentes da manifestação tendem a continuar descentralizando as ações para que mais porto-alegrenses tenham a oportunidade de participar.