Os moradores das ilhas Grande dos Marinheiros e do Pavão, no bairro Arquipélago em Porto Alegre, estão em alerta. A chuva que atinge a Região Metropolitana desde o final de semana provocou o transbordamento de banhados. Para fugir das áreas alagadas, cobras d’água e ratos começaram a invadir as moradias a partir da madrugada desta segunda-feira.
Os acessos às casas também estão enlameados e, em alguns pontos, apresentam acúmulo de água. “Estamos usando as bicicletas e as carroças para escapar dos atoleiros”, revelou a recicladora Eliane Santarém, 43 anos, lembrando que, a partir de maio do ano passado, as enchentes foram frequentes nas Ilha Grande dos Marinheiros.
Todos temem pela chegada do vento Sul, que costuma represar as águas do rio Jacuí e provocar alagamentos. “Estamos prestes a ficar dentro d’água”, comentou. Ela recorda que, em 2009, foram vários dias enfrentando água na cintura para poder sair de casa. Na Ilha do Pavão, a situação é igualmente preocupante. Os moradores da rua A enfrentam dificuldade de deslocamento, pois além da água acumulada da chuva, há ainda vazamento de tubulações que se romperam. “O acúmulo de barro é constante e quando chove fica ainda pior”, relatou a recicladora Daiana Figueiró Castro, 25. O maior temor, porém, envolve a movimentação das cobras e dos ratos na direção dos casebres. Na manhã desta segunda-feira, uma cobra d’água foi encontrada no assoalho de uma casa, aninhada próximo ao berço de um bebê.
“Também há infestação de ratos, baratas e lacraias que estão fugindo das áreas alagadas”, afirmou outra recicladora, Kátia Raquel do Couto, 33. Desde domingo, Daiana e Kátia monitoram o rio Jacuí. “Quando a água começa a subir é sinal de enchente na ilha”, ressaltou Kátia. As duas mulheres, porém, enfrentam as cheias dentro de casa, mesmo com a água batendo nos joelhos. “Se sairmos, os ladrões aparecem”, lamentou Daiana.
O coordenador Defesa Civil da Capital, Léo Bulling, afasta a possibilidade de enchentes nas ilhas localizadas no Delta do Jacuí. “As previsões são de trégua das chuvas e de chegada do frio”, disse. Segundo ele, o nível do Guaíba é monitorado diariamente e não está próximo da cota de alerta. “Normalmente, nos meses de abril, o nível médio fica em 0,8 metro acima da cota e estamos com 0,82 metro”, comparou. Bulling ressaltou que os alagamentos ocorrem quando a elevação supera 1,9 metro.
Interior
As previsões da MetSul Meteorologia apontam para a continuidade da chuva no Norte, com elevados volumes, o que deve agravar ainda mais a cheia do rio Uruguai nos próximos dias, inclusive com risco de enchentes na Fronteira Oeste.
Em São Borja, na Campanha, três famílias estão sendo retiradas das margens do rio Uruguai, nesta segunda-feira. Em função da chuva do final de semana, o nível começou a subir no município. Outros moradores de duas casas devem ser retirados do local ainda nesta tarde.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, que também é coordenador da Defesa Civil local, José Enio Abreu de Jesus, se as águas chegarem a 11 metros, outras sete famílias devem ser deslocadas para a casa de parentes. Por enquanto, o rio está com 9,5 metros e cresce cerca de 10 centímetros por hora. Caso continue esse ritmo, ele pode chegar, em 30 horas, a 12 metros. Segundo ele, a chuva parou, porém o volume de precipitação do Norte do Estado desce para a região e contribui para o aumento.
Uma viatura especial faz o trabalho de remoção das famílias, que estão sendo levadas para a casa de parentes. Três localidades estão praticamente isoladas em função da chuva. Rincão de Santa Luzia, São Marcos e Sarandi têm seus acessos principais interrompidos. Várias lavouras de soja foram prejudicadas e apesar de a colheita de arroz já estar quase no final, as plantações também ficaram danificadas.
Estradas
Na manhã desta segunda-feira, parte da pista cedeu na BR-153, a 300 metros da cabeceira da ponte sobre o rio Uruguai, na localidade conhecida como Estreito. Fissuras de 20 e 10 centímetros abriram-se no acostamento e em uma das pistas, respectivamente.
O trânsito está em meia pista no local, mas não está afastada a possibilidade de bloqueio total do tráfego. Técnicos do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) verificam as condições da rodovia. Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal, se houver constatação de que está havendo infiltração embaixo da pista, é possível que a mesma seja toda bloqueada.
Cerca de 5 mil veículos transitam pela região por dia, saindo e entrando do Estado. O problema que tem sua origem no excesso de chuvas está ocorrendo no lado gaúcho da rodovia a 50 km de Erechim na divisa com a cidade de Concórdia (SC).
Moradores das ilhas da Capital enfrentam problemas de acesso em função da chuva
Em São Borja, famílias começam a ser removidas das áreas ribeirinhas do rio Uruguai