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Moradores das ilhas enfrentam falta de água durante pandemia em Porto Alegre

Caminhão pipa só começou a circular na quinta-feira

Região das ilhas sofre com a falta de água
Região das ilhas sofre com a falta de água Foto : Alina Souza

Médicos e especialistas recomendam cuidados redobrados para combater o novo coronavírus, em Porto Alegre. Medidas de restrição foram adotadas buscando impedir circulação de pessoas, mas para os moradores das ilhas do Pavão, Marinheiros e das Flores cuidar da higiene está bem mais difícil desde segunda-feira. Isso porque os três locais estão sem água, e o caminhão pipa só começou a circular na quinta-feira. A solução definitiva não deve vir antes da próxima semana.

“Pega todo mundo de surpresa, a gente levantou na segunda-feira e não tinha água”, conta a dona de casa Margarete dos Santos, 41 anos. Moradora da Ilha dos Marinheiros, ela vive com o marido e o filho de cinco anos, e precisou que o companheiro, que ainda está trabalhando, trouxesse um galão para garantir o básico de água para higiene mais simples e alimentação.

Na manhã desta sexta, ela já tinha conseguido dois galões maiores e aguardava a chegada do caminhão-pipa para abastecer, assim como os outros vizinhos.

Dessa forma os moradores que vivem ilhados, tendo o Guaíba como vizinho, não têm água para beber, tomar banho e cozinhar. Margarete precisou recorrer às economias no primeiros dia para garantir ter o que beber antes de o marido voltar do trabalho com o tonel cheio. “A gente juntou dinheiro que não tem para comprar água e ter o mínimo.”

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) garante que as três ilhas estão sendo atendidas, e na dos Marinheiros foram enviados três caminhões na quinta-feira e quatro na sexta-feira. Porém, os moradores da ilha dos Marinheiros dizem que a circulação é menor, apenas uma vez por dia, e insuficiente. “Na minha casa não chegou, eu peguei água do rio para usar no banheiro”, conta o comerciante Thiago Mânica, 38 anos. De acordo com o Dmae, o roteiro dos caminhões é definido pelo Centros de Relação Institucional Participativa (Crip).

Mânica conseguiu manter o abastecimento uns dias a mais que alguns vizinhos por ter caixa da água, mas o estoque acabou na quarta-feira. “Minha mulher não foi trabalhar hoje por vergonha, está há três dias sem tomar banho.” De acordo com ele, falta de água é comum no local, mas não por um período tão longo. “Estamos acostumados a ficar dois dias sem água, nunca cinco.”

O problema iniciou depois que a motobomba que abastece as três ilhas sofrer duas panes eletromecânicas. A manutenção é classificado como difícil, e o Dmae espera a chegada do equipamento. Em nota, o Departamento não estabeleceu um prazo para a solução definitiva. “O Dmae estima que nos próximos dias seja possível solucionar definitivamente o problema e normalizar o abastecimento para o sistema ilhas.”