Ao acompanhar as estratégias do governo interino de Michel Temer para reduzir custos da máquina pública, incluindo segmentos como a saúde e a educação, um grupo de moradores do bairro Campo Novo, na zona Sul de Porto Alegre, se reuniu hoje pela manhã, em frente a Unidade Básica de Saúde, para defender a continuidade do Programa Mais Médicos. Atualmente, atuam neste posto quatro médicos estrangeiros (três cubanos e uma dominicana) que, segundo a comunidade, ampliaram e melhoram os atendimentos realizados no local. “É unânime a opinião dos moradores sobre os benefícios que esses profissionais trouxeram ao nosso bairro. Eles abraçaram a nossa comunidade”, diz o organizador do ato, Fabiano Negreiros, que mora há 7 anos no bairro.
Os porto-alegrenses temem que o pacote de medidas do governo federal comece a atingir os contratos fechados pelo Mais Médicos. “Não queremos voltar no tempo que tinha apenas um clínico-geral trabalhando nesta unidade de saúde, e não podemos esperar os médicos estrangeiros irem embora para reclamar”, acrescenta. Para que a defesa aos profissionais não esmoreça, Negreiros diz a ideia é fazer uma articulação com moradores de outros bairros para reforçar o movimento e pressionar os gestores públicos, se necessário.
A moradora Irene Romilda Silveira, de 58 anos, concorda com a mobilização. Mesmo com problemas na coluna e tendo que se deslocar com ajuda de uma bengala, ela fez questão de participar do ato para apoiar os médicos. “Várias vezes já recebi a visita da médica cubana na minha casa. No início, eles tinham dificuldade de se comunicar, mas sempre foram muito atenciosos e se adaptaram 100%. E no posto, mesmo sem ficha, eles nunca deixam de atender ninguém”, diz.
De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde, 350 mil pessoas são atendidas nas unidades básicas diretamente pelos profissionais do Mais Médicos. A Capital tem 110 médicos do programa que atuam em 81 unidades da atenção básica. Os primeiros profissionais do Mais Médicos iniciaram os trabalhos em Porto Alegre em agosto e setembro de 2013. São médicos formados no Brasil, Cuba, Argentina, Espanha, Honduras e outros.
Moradores de bairro da zona Sul de Porto Alegre realizam ato em defesa do Mais Médicos
Grupo teme que programa seja atingido pelo pacote de medidas do governo federal