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Moradores de Charqueadas protestam em frente ao Piratini

Objetivo é pressionar a Fepam por agilidade no licenciamento de empresa para o município

	Moradores de Charqueadas protestam na Praça da Matriz
Moradores de Charqueadas protestam na Praça da Matriz Foto : Vinícius Roratto
Mais de mil moradores de Charqueadas estão concentrados na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, desde a manhã desta quinta-feira. Os manifestantes pressionam a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) por agilidade no licenciamento da empresa Iesa Óleo e Gás. Charqueadas venceu a disputa com Navegantes (SC) para a instalação da sede, em novembro. A direção da Iesa afirma, no entanto, que o licenciamento deve ocorrer até 15 de abril, para haver tempo hábil de instalação. Do contrário, a empresa se instalaria no Estado vizinho.

Segundo o prefeito do município, Davi Gilmar de Abreu Souza, a Iesa irá movimentar em “bilhões de dólares” a região carbonífera, que atualmente possui 5 mil desempregados. A empresa fará um investimento de R$ 20 milhões e deve gerar cerca de dois mil empregos diretos e indiretos, além de outros dois mil consequentes da atração de outras companhias menores para o município. Entre os manifestantes, estão moradores, empresários e comerciantes de Charqueadas.

A Iesa tem até 30 de julho para operar a pleno, com o objetivo de disputar a licitação para o fornecimento de equipamentos para as plataformas de exploração off-shore da Petrobras. Como necessita de 75 dias para executar as obras de instalação, as mesmas devem começar impreterivelmente até 15 de abril. “Não sei o motivo de tanta demora na concessão dessas licenças, pois a Iesa não é poluidora”, afirmou.

Segundo ele, a metalúrgica pretende confeccionar módulos na cidade e transportá-los até o Porto de Rio Grande por meio do rio Jacuí. O prefeito disse que não admitirá que “façam com Charqueadas o que fizeram com Guaíba”, fazendo alusão à ida da montadora da Ford para Lauro de Freitas (BA), quando o Estado era igualmente administrado pelo PT. A prefeitura e algumas escolas do município permaneceram fechadas ontem para possibilitar maior adesão ao protesto.

O diretor-presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg, destacou que o processo de licenciamento da Iesa não esbarra em nenhum procedimento burocrático. “Não está trancado na gaveta, mas passando por uma análise meticulosa, de acordo com as regras estabelecidas pela legislação ambiental”, enfatizou. Niedersberg ressaltou que o ato de concessão do licenciamento não é político, mas técnico. “Esperamos finalizar todos os procedimentos até 15 de junho”, frisou. Ele disse que a demora se deve à necessidade de adequação do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) elaborado pela empresa à legislação ambiental vigente no Estado.


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